A energia que José Figueiras transmite vem da forma como escolhe olhar para a vida.
Há pessoas que parecem viver sempre a alta velocidade. José Figueiras é uma delas. Mas a energia que transmite não nasce da pressa nem da agitação. Vem da forma como escolhe olhar para a vida. Quase com 60 anos, o apresentador fala de saúde, equilíbrio, desporto e da felicidade de continuar a fazer aquilo de que mais gosta: comunicar.
Sempre fui assim. Não sou hiperativo, mas sempre tive esta energia. Esta é a forma que encontrei para enfrentar a vida e como estou perante as pessoas, procurando ver sempre as coisas pelo lado mais otimista. Uma pessoa com energia positiva, com um bom astral, como se costuma dizer, terá certamente uma saúde melhor.
Há momentos em que consigo descansar. Outros em que eu próprio faço esse “off” para “desligar” a cabeça deste mundo e do trabalho. Até costumo dizer, na brincadeira, quando volto de uma pausa, de uma semana e meia de férias, sobretudo quando estou a fazer o meu programa: «Como é que isto se faz?». Desliguei-me tanto que, quando volto, parece que vou fazer um casting ou que é a primeira vez. De repente: «Bora, estás no ar. “Olá, pessoal!”». E penso: «Espera... como é que…?».
Houve alguém que me disse uma frase, há muitos anos, que assimilei e passei a adotar. «No dia em que entras em palco, ou num direto, e já não estás nervoso, é porque alguma coisa não está bem». Ter nervosismo, sentir aquelas “borboletas na barriga”, é sentido de responsabilidade.
Sim, vamos criando mecanismos para combater o stresse de forma automática. Não faço meditação, mas respiro fundo. Também tenho uma boa relação com a equipa, e isso permite-me, muitas vezes, quando alguma coisa não está bem ou existe tensão no trabalho, conseguir apaziguar a situação.
Ajuda muito! O desporto ajuda-me a libertar tensão e a relaxar melhor, porque quando vou para a cama com cansaço físico não consigo dormir. É diferente de ir para a cama com a cabeça cheia e com cansaço psicológico. O desporto liberta-me e faz com que fique verdadeiramente cansado fisicamente. Então penso: «Esta noite vou dormir bem».
Não pratico equitação em campeonatos nacionais ou mundiais, nem faço grandes saltos. Tenho simplesmente uma enorme paixão por cavalos e aprendi esta arte desde miúdo. Depois, incitaram-me a experimentar o futegolf e acabei por ficar um bocadinho viciado, embora já não pratique há algum tempo. Na verdade, é uma forma de não jogar futebol nem golfe e, ainda assim, estar num campo de golfe a dar uns chutos para a frente.
Não vou muito ao ginásio. O que faço é natação e gosto muito de uma coisa que toda a gente diz que não serve para nada: a passadeira. Dá-me gozo correr na passadeira. Bem sei que também deveria fazer máquinas e musculação. Não por uma questão estética, mas por razões de saúde. É importante ganhar alguma resistência e preservar a massa muscular.
Sim, tenho alguns cuidados, mas adoro comer de tudo. Não me venham dizer para deixar de gostar de um arroz de cabidela, de um cozido à portuguesa, de uma boa carne ou de um bom peixe. Gosto de tudo.
Tenho algum cuidado, sobretudo ao jantar. É claro que faço jantaradas com amigos e, quando há um jantar ao fim de semana, vou. Habitualmente, durante a semana, não tenho esse culto do jantar. Como sempre qualquer coisa mais ligeira.
Doces. Os bolos são a minha grande perdição. Hoje controlo-me muito mais, mas há uns anos, quando tinha 20 ou 30, comia bolos durante todo o dia. Chegava a comer dois ou três. Agora controlo-me. Apesar de ter as análises todas bem e estar tudo controlado, a idade faz-nos pensar: «Calma, não abuses».
Sim, todos os anos. E, com a idade, não é que faça muitos mais exames, mas faço uns mais completos. Digo sempre ao médico: «Doutor, ponha aí mais esta análise. Veja também esta. E mais aquela». É um cuidado que tenho. No fundo, acabo por fazer um controlo de seis em seis meses, porque tenho o meu médico e depois também fazemos medicina do trabalho. Acabo por fazer dois pequenos check-ups por ano. Faz falta e é necessário.
Lido bem, faz parte de mim e da minha forma de estar. Tenho 60 anos. Nem tenho vergonha nenhuma de dizer a minha idade.
É difícil, porque a Áustria e os Açores complementam-se. Os Açores, em termos de paisagem – verde, vaquinhas, Natureza – são muito parecidos com a Áustria. Só que os Açores têm mar, o que torna o arquipélago ainda mais bonito. A Áustria, à qual tenho ligações familiares, é um país lindíssimo. A Áustria, a Suíça e toda aquela zona dos Alpes parecem desenhadas. Está tudo muito organizado. É lindo de morrer!
Tenho, obviamente, uma ligação familiar muito forte, por causa da minha ex-mulher, dos meus filhos e dos meus sogros. Os Açores são mesmo uma paixão. Uma das formas que tenho de “desligar” é ir para os Açores, fazer caminhadas, levar a mochila, água e o bastão, e andar na montanha.
Não vou dizer que tenho uma autoestima sempre cheia e muito positiva, porque há momentos em que não estamos assim. É perfeitamente normal. Há momentos em que não temos esta garra toda. Penso que tenho uma autoestima saudável, no sentido em que me valorizo. Nunca me derroto. Penso sempre: «Está bem. Na boa. Se calhar a próxima oportunidade vai surgir noutro sítio».
Quando esta fase terminar, gostava de continuar ligado à comunicação, de uma forma ou de outra. Gostava muito de trabalhar com as comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo. Tenho uma ligação muito forte aos emigrantes e gostava de continuar a ir até eles, fazer projetos junto dessas comunidades, comunicar, ser uma espécie de porta-voz e também de cicerone.
E gostava, igualmente, de ter mais tempo para mim. Quando digo tempo para mim, é voltar à ideia de “desligar o botão”. Poder viajar, passar mais tempo nos Açores, pensar assim: «Agora apetecia-me fazer isto» e fazer.