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«As farmácias sempre foram lugares de confiança»

Para Rui Melo, as farmácias são um espaço de confiança, mas também de proximidade humana, onde o cuidado não se limita ao medicamento.

Homem a sorrir, sentado, de barba, com casaco bege a olhar para a câmara

Para Rui Melo, as farmácias sempre foram mais do que um ponto de passagem para tratar de uma necessidade pontual. São, antes de tudo, lugares de confiança. Uma ideia que nasce cedo, em Évora, e que molda a forma como ainda hoje olha para estes espaços.

«Sou de Évora, e numa cidade do interior isso sempre existiu muito naturalmente: a relação com o farmacêutico ou com a farmacêutica não é só uma relação funcional, é quase uma relação de proximidade humana, de confiança mesmo», explica.

Essa dimensão humana não se perdeu com a mudança para Lisboa. Pelo contrário, foi sendo transportada para a sua vida na cidade. «Mesmo em Lisboa, onde vivo agora, continuo a manter essa ligação muito próxima com uma farmácia em particular, onde já sou tratado pelo nome e onde também já trato as pessoas pelo nome». Com o tempo, essa relação ultrapassa o serviço e aproxima-se de uma familiaridade quotidiana. «Acaba por se criar uma espécie de relação, quase de amizade».

É na observação do outro que Rui Melo encontra uma dimensão ainda mais ampla do papel das farmácias. Mais do que um espaço de saúde, tornam-se, muitas vezes, um ponto de encontro. «Vejo muitas pessoas, principalmente pessoas mais velhas, irem à farmácia não apenas por necessidade médica, mas também para falar, para estar com alguém, para combater a solidão».

Nesse gesto simples de entrar e conversar, a farmácia ganha uma função que ultrapassa a vertente da saúde. «Isto dá às farmácias um papel social muito relevante». Um lado menos visível, mas profundamente humano: um espaço onde, muitas vezes, também se trata a solidão.