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«Fazer várias coisas é uma forma de me manter inteiro»

Num percurso onde a especialização costuma ser a regra, Rui Melo segue uma lógica diferente e é ator, encenador e músico.

Homem de pé a sorrir, a abrir duas portas azuis, de barba, com casaco bege e camisa branca

Há quem encontre foco na especialização. Rui Melo encontra sentido na multiplicidade e não vê essa diversidade como um capricho criativo, mas como uma forma de equilíbrio e uma estratégia de sobrevivência.

«Eu gosto de fazer muita coisa», afirma, abrindo a porta a uma forma de estar na arte que recusa a ideia de fixação. A sua entrada no mundo criativo começou pela música, uma presença que continua a atravessar tudo o que faz. «A vertente da música está muito presente na minha vida», afirma, sublinhando que essa origem nunca ficou para trás, apenas se expandiu.

A multiplicidade é também uma forma de gestão emocional e profissional. «Quando me falha um lado, tenho sempre outro. Isso é ótimo». Numa profissão marcada pela incerteza, onde o trabalho surge por ciclos e nem sempre de forma previsível, essa alternância torna-se um porto seguro. Não como fuga, mas como continuidade. Neste momento, Rui Melo assume que atravessa uma fase de maior ligação ao teatro. «Apetece-me fazer mais teatro do que televisão, e felizmente posso fazê-lo», diz.

A necessidade de alternância não se esgota no formato, estendendo-se aos papéis criativos que assume dentro de cada projeto. No musical “O Engenheiro”, por exemplo, encena, compõe e escreve. «Tive a sorte de ser compositor das canções com o Artur Guimarães e de escrever letras com o Henrique Dias. Isso completa-me».

Completar, para o ator, não significa preencher um vazio, mas sim integrar diferentes partes de si num mesmo gesto criativo. Como se cada disciplina – encenação, interpretação, música ou escrita – fosse uma extensão natural das outras, e não compartimentos separados.