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«Não há corpo saudável sem mente saudável»

Tânia Graça defende que saúde física e saúde mental não competem, mas caminham lado a lado.

mulher a sorrir, com cabelo encaracolado, casaco rosa choque e t-shirt branca

Na sociedade atual, um corpo doente recebe atenção, enquanto uma mente em desequilíbrio raramente recebe o mesmo cuidado. Tânia Graça, psicóloga e sexóloga clínica, defende que saúde física e saúde mental não competem, mas caminham lado a lado, e a prevenção é a chave para viver com equilíbrio e qualidade de vida.

Quando se fala de saúde, a pergunta surge quase automaticamente: o que vem primeiro, o corpo ou a mente? Para Tânia Graça, psicóloga e sexóloga clínica, a resposta começa por desmontar a própria lógica da hierarquia. «O que é que vem primeiro? Posso não pôr uma em primeiro?», questiona.

A ideia de que a saúde física deve ter prioridade está profundamente enraizada e a especialista compreende porquê. «Se eu torcer um pé e não consigo fazer a minha vida e produzir, é um problema. Estamos sempre aqui nesta redoma da produção, produção, produção. Eu sinto que isto é mais limitativo e, portanto, tem de ser atendido mais rápido». A dor física é visível, concreta e socialmente legitimada. Impede-nos de trabalhar, de cumprir tarefas, de manter o ritmo.

Já a saúde mental tende a ser desvalorizada ou adiada. «Se eu estiver ansiosa… isto também são coisas da minha cabeça, eu sozinha consigo lidar. Tenho amigos, vou falar com eles e isto vai-me passar». Mas Tânia Graça é clara: «Não é verdade».

O sofrimento psicológico não é menos real por ser invisível e ignorá-lo tem consequências que vão muito além do desconforto emocional. «Sendo a saúde mental crucial também para nos movimentarmos no mundo, para sermos felizes, para nos relacionarmos melhor e também para conseguir produzir, se quisermos pôr nesse ângulo, é muito importante». Ou seja, até dentro da lógica produtiva que tantas vezes dita prioridades, a mente continua a ser central.

Para a psicóloga, o erro está em pensar a saúde como uma escolha entre duas dimensões. «Acho que serem cuidadas em paralelo é o ideal», defende. Corpo e mente não competem, complementam-se. Se um falha, o outro ressentir-se-á inevitavelmente.

Isso não significa desvalorizar a saúde física. «Claro que se eu estiver com algum problema de saúde física, tem de ser também atendido e até prevenido», sublinha. «A prevenção é também a chave».

Mais do que agir de forma reativa, apenas quando surge um problema, Tânia Graça defende uma postura contínua de cuidado. «Quando digo isto de tentar comer tão bem quanto possível, fazer exercício, o ideal é que não seja reativo a um problema e seja preventivo de problemas». E essa lógica aplica-se às duas dimensões. «Tanto na saúde mental como na saúde física é algo que temos de fazer».

Cuidar da mente pode significar procurar terapia, estabelecer limites, respeitar o descanso, desenvolver autoconsciência. Cuidar do corpo pode passar por alimentação equilibrada, atividade física regular, consultas e exames de rotina. Mas, na prática, estes gestos não vivem separados, alimentam-se mutuamente.

A proposta da sexóloga é simples, mas exige mudança cultural: abandonar a ideia de prioridade e adotar a ideia de simultaneidade. A saúde não é uma competição entre corpo e mente, mas um equilíbrio dinâmico que exige atenção constante. E quem aprende a cuidar dos dois em paralelo não ganha apenas ausência de doença, ganha qualidade de vida, relações mais saudáveis e maior capacidade de enfrentar os desafios do dia a dia.