Para Mónica Jardim o bem-estar não é uma tendência nem uma meta temporária.
O bem-estar não é uma tendência nem uma meta temporária, para Mónica Jardim. Entre uma agenda exigente, a televisão e a presença nas redes sociais, a apresentadora continua a encontrar espaço para aquilo que considera essencial: mexer o corpo, cuidar da alimentação e proteger a saúde mental.
Nas redes sociais, partilha posts sobre «caminhar, correr, dançar, pedalar». É uma filosofia de vida?
Sim, sem dúvida. O corpo humano foi feito para estar em movimento e eu já sou irrequieta desde nascença. O exercício físico e o desporto fazem parte do meu estilo de vida, e ainda bem. É um conselho que dou a toda a gente: pratiquem atividade física. É claro que cada um tem as suas modalidades preferidas, mas o essencial é mexer o corpo. Faz parte do bem-estar e do equilíbrio que procuro. Há três pilares fundamentais na minha vida: o sono, o movimento e a alimentação.
É uma questão de arranjar tempo para as nossas prioridades. Se é muito importante, arranjamos sempre tempo.
Certamente. A nossa sanidade mental assenta nesse equilíbrio. Cada um sabe o que lhe faz bem e quais os fatores que contribuem para a sua felicidade. Para mim, são claramente os três pilares que referi: sono, movimento e alimentação.
Fui operada a uma hérnia discal lombar extrusa, sendo que, literalmente, metade do disco estava cá fora. Tentei durante algum tempo tratar com fisioterapia, postura, acupuntura, todas as soluções que julguei serem as mais adequadas. Mas já estava num processo difícil: pela primeira vez, a perna direita ficou afetada e comecei a coxear.
Tive mesmo de aceitar a cirurgia. Foi uma técnica muito pouco invasiva, porque a medicina vai evoluindo. Fui operada numa sexta-feira à noite, às 22h, e às 11 da manhã do dia seguinte já estava a sair do hospital. No domingo estava a fazer uma caminhada, por recomendação do próprio médico, que me disse que as caminhadas fazem parte do pós-operatório. O médico sabia que sou desportista e garantiu-me que isso iria ajudar muito na recuperação, e assim foi. Fiz fisioterapia três vezes por semana, associada a atividade física condicionada ao pós-operatório. Quatro a cinco meses depois da operação já estava de volta às corridas. Acho que o meu corpo tem uma boa memória muscular, sempre teve, e isso ajuda muito numa recuperação mais rápida.
A alimentação foi sempre uma das minhas premissas fundamentais. Nós somos o que comemos. Não sou nada extremista: como de tudo um pouco. Gosto muito de frutas, legumes, verduras e peixe. Faço uma alimentação equilibrada. O meu vício são os doces, mas acredito que podemos comer de tudo, desde que de forma equilibrada.
Sim e cada vez mais. Com esta profissão, em que somos figuras públicas, as redes sociais são uma excelente plataforma para falarmos sobre estes temas. Curiosamente, sigo muitas pessoas estrangeiras, que não conheço, mas que cozinham bolos e doces sem glúten, alternativas mais saudáveis, e o algoritmo vai-me dando cada vez mais essas respostas. Praticamente todas as semanas faço uma dessas receitas que descobri online. Aprendemos muito através das redes sociais, de quem nos pode facilitar a vida com este tipo de soluções.
Ensinou-me a ouvi-lo cada vez mais e a respeitá-lo, com aquilo que ingerimos e os alimentos que escolhemos. Há muito que se fala em alimentos inflamatórios e sabemos o quanto isso é prejudicial. Temos de ouvir o intestino, o nosso segundo cérebro. Ainda há a ideia de que a comida saudável não é saborosa, mas isso está completamente ultrapassado. A minha mãe sempre teve um estilo de vida muito saudável e, desde pequenos, tanto os meus irmãos como eu fomos habituados a comer de tudo um pouco. O segredo está no equilíbrio.
Bastante bem. 50 é apenas um número. Não é a idade que sinto ter, e os 50 de hoje não são os 50 de alguns anos atrás. O meu lema é envelhecer o mais jovem possível e é isso que tento aplicar no meu dia a dia. Envelhecer tem de ser sempre com as nossas premissas básicas. A minha é ser feliz, por isso vou continuar a dar prioridade ao que me faz feliz. O mais importante é vivermos a vida. Não sabemos o que há para além desta, por isso tento ser feliz ao máximo todos os dias, escolhendo o que me faz bem.
Ter relações saudáveis com amigos e família, viajar, estar no meio da Natureza, praticar atividade física, estar com os meus. Há uma série de coisas que me fazem muito feliz. Tentar todos os dias fazer algo que me permita aceder a esse grau de felicidade. Chegar ao final do dia e pensar: senti-me feliz porque consegui fazer o que queria.
É claro que, por sermos figuras públicas, trabalharmos com uma câmara à frente e sabermos que do outro lado há milhares de pessoas a ver, a parte estética é importante, mas não podemos fazer disso uma “prisão”. Em primeiro lugar estamos nós, não os outros. Tenho a minha autoestima e quero sentir-me bem, porque é isso que pretendo para mim, não para os outros. A estética está presente, mas não podemos ficar condicionados a ela.
O que posso dizer é para apostarem nas rotinas sustentáveis que passem pela qualidade do sono, por manter atividade física regular e escolher seguir uma alimentação equilibrada. São os três pilares. Não é preciso fazer tudo de uma vez ou ser radical, mas ir implementando, com consistência, aquilo que nos faz bem.
Continuar com este estilo de vida. Bem-estar, para mim, é ter qualidade de vida. Podemos ter um estilo de vida saudável e não ter qualidade de vida, no sentido de não ter tempo para praticar o que nos faz feliz. Qualidade de vida é precisamente ter esse tempo para darmos prioridade ao que nos faz bem. Isso é fundamental para o bem-estar.