A rotina de Inês Gutierrez e João Montez é feita muito mais de bastidores do que de filtros.
Vivem sob o olhar atento de milhares de pessoas, mas a rotina de Inês Gutierrez e João Montez é feita muito mais de bastidores do que de filtros. O casal encontrou no bem-estar uma prioridade, não como um ideal de perfeição, mas como um compromisso diário. Porque, por detrás das fotografias, dos programas e da vida partilhada online, há duas pessoas que tentam encontrar o equilíbrio, um treino e uma escolha de cada vez.
IG: O exercício físico é uma das prioridades na nossa agenda. Temos por hábito organizar a nossa vida por semanas. Normalmente, ao domingo ou à segunda-feira de manhã, olhamos para o calendário em conjunto e tentamos perceber como vai ser a semana. Os treinos entram logo nesse planeamento.
JM: E isso tem uma vantagem: conseguimos perceber não só o nosso próprio treino, mas também quando é que o outro vai treinar. Acabamos por nos responsabilizar mutuamente e por garantir que os objetivos vão sendo cumpridos.
IG: Às vezes há dias em que acordo sem vontade nenhuma de ir treinar. E o João é aquela pessoa que diz: «vá, bora, vai lá». E uma pessoa levanta-se e vai. Ter alguém que nos incentiva também ajuda muito.
IG: Sem dúvida. Sinto que fico com mais energia, foco, concentração e até mais criatividade. Parece que a cabeça funciona melhor.
JM: Para mim, é quase uma limpeza mental. Os dias são completamente diferentes quando treino e quando não treino. Quando faço treino, sinto-me mais presente e disponível, física e mentalmente. E isso faz diferença no trabalho. O benefício vai muito além da parte estética.
IG: Eu noto muito isso quando treino de manhã. Começo o dia logo a cuidar de mim, o que acaba por influenciar as escolhas que faço e a forma como interajo com os outros.
IG: Temos hábitos saudáveis, mas não somos fundamentalistas. Comemos bem no dia a dia, preocupamo-nos com os legumes, com os pequenos-almoços, com aquilo que colocamos no prato. Mas também acreditamos que a vida é feita de equilíbrio.
JM: Eu tenho um ponto fraco, os doces. E há duas coisas que nunca retiro: as pipocas no cinema e os gelados em casa. Uma casa sem gelados não é uma casa. [risos]
IG: Se estamos de férias, numa viagem ou num jantar especial, não vamos deixar de comer uma sobremesa porque não devemos. Gostamos de ser saudáveis, mas também de aproveitar a vida.
JM: Completamente. A Inês é uma pessoa com muita energia no dia a dia, mas quem não a conhece não imagina que, para essa energia existir, ela necessita de dormir e descansar. Às vezes precisa mesmo de “desligar a ficha”.
IG: Hoje, damos muito mais valor ao descanso. Principalmente depois de sermos pais. Houve uma fase em que percebemos o impacto que a privação de sono tinha em nós.
JM: Eu achava que conseguia lidar bem com isso, mas depois percebi que não. Quando existe privação de sono, tudo muda.
IG: O primeiro ano da nossa filha foi intenso. Lembro-me de sentir que estava meio debaixo de água, como se o cérebro não conseguisse processar tudo. Foi uma adaptação enorme.
JM: Sem dúvida. A nossa profissão é muito imprevisível. Nunca sabemos exatamente como vai ser o dia seguinte.
IG: Eu sempre tive muita dificuldade com planos alimentares demasiado rígidos por causa disso. A nossa vida não funciona de segunda a domingo com horários perfeitos.
JM: E existe também uma pressão muito grande porque nós somos o nosso próprio trabalho. Não há aquele momento em que sais do escritório e acabou. O trabalho acompanha-nos.
IG: É muito fácil cair num ritmo de trabalho excessivo, naquele pensamento de «tenho de fazer mais, tenho de conseguir mais». É importante aprender a criar limites.
IG: A forma como olhamos para a saúde vai mudando com a idade. Hoje, percebo que a saúde não é só o lado físico. É exercício, alimentação, sono, beber água, fazer pequenas escolhas todos os dias e também cuidar da cabeça. A psicoterapia é o ginásio da cabeça. Tal como cuidamos do corpo, temos de cuidar da nossa saúde mental.
JM: No nosso caso, é ainda mais desafiante porque o telefone faz parte da profissão. Precisamos dele, mas também de aprender a desligar.
IG: Uma coisa muito importante para nós é não mexermos no telemóvel durante as refeições e nos momentos em família. Quando estamos os três, tentamos estar realmente presentes, sem distrações.
JM: Sem dúvida. Às vezes, parece que toda a gente já treinou, fez panquecas, preparou um pequeno-almoço incrível e teve um dia perfeito antes de nós sequer começarmos.
IG: Essa comparação é muito perigosa. É natural inspirarmo-nos nos outros, principalmente porque trabalhamos com criação de conteúdo, mas pensar «eu também tenho de fazer isto» é o pior caminho.
JM: As redes sociais estão cheias de perfecionismo que, muitas vezes, é irrealista.
IG: Não existem semanas perfeitas. O mais importante é o foco e a consistência.
IG: Gosto de promover a saúde e bem-estar com realismo. Não é sobre ter um dia perfeito, uma semana perfeita. Isso não existe. Se uma pessoa não treina, não vai passar de repente para cinco treinos por semana. Começa por um ou dois. Depois vai aumentando. O mesmo acontece com a água, com a alimentação, com tudo.
JM: Há muita frustração quando as pessoas tentam mudar tudo de um dia para o outro e percebem que não conseguem. Os hábitos têm de ser sustentáveis.
JM: Primeiro, perceber se está tudo bem e, se necessário, fazer acompanhamento. Depois, começar devagar. Às vezes, uma coisa simples como comprar roupa de treino pode ser aquele incentivo inicial.
IG: E encontrar uma atividade de que se goste. Nem toda a gente aprecia fazer ginásio. Há quem goste de correr, dançar, jogar ténis ou fazer um desporto de grupo. O importante é descobrir aquilo que funciona para cada pessoa.
IG: Sinto essa pressão, embora menos do que há cinco anos. Trabalhamos num meio onde há muita produção, maquilhagem, cabelos, roupa. Às vezes olhamos para o lado e parece que toda a gente acordou assim, mas não é verdade. Temos de fazer esse exercício: o que é que realmente importa? É a imagem que mostramos ou a forma como nos sentimos?
JM: Estamos a “caminhar” para ter mais diversidade. Cada vez valorizamos mais pessoas diferentes e menos uma ideia única de perfeição.
IG: Acho que o importante é aceitar que vamos todos envelhecer. Eu quero envelhecer bem. Quero conseguir caminhar, subir uma rampa sem estar com os bofes de fora, continuar a fazer aquilo que aprecio. Gosto de cuidar de mim, de fazer a rotina de pele, de tratar da aparência, mas isso vem muito mais de querer sentir-me bem do que de tentar parecer outra pessoa.
JM: O nosso corpo e a nossa cabeça são a casa onde vamos habitar sempre. Quando falamos de saúde, estamos a falar de algo que nos acompanha a vida inteira.
JM: Quero continuar a cuidar da minha saúde física e mental. Um objetivo muito concreto que tenho neste momento é beber mais água. E quero manter uma hora por semana para psicoterapia, porque cuidar da cabeça é essencial.
IG: O meu objetivo é continuar a trabalhar no bem-estar global, alinhando a saúde, a vida profissional e o crescimento pessoal, sabendo que cada uma destas áreas complementa as outras. Vamos passar por fases boas e menos boas, mas o importante é conseguirmos estar em sintonia connosco.