Fátima Lopes acredita que o autocuidado é o investimento mais seguro que se pode fazer.
A apresentadora revela a sua filosofia de vida assente na consistência, escuta e responsabilidade pessoal. Acredita que o autocuidado é o investimento mais seguro que se pode fazer.
É um cuidado pleno, com todas as áreas e dimensões da nossa vida. Não é só bons resultados nas análises, embora seja importante. É ter as emoções arrumadas, é ter energia para a vida. Por isso, saúde não é apenas ausência de doença, m, também, equilíbrio e bem-estar.
Tudo começou quando fazia desporto de competição. Pratiquei atletismo durante vários anos. Não me lembro de ter grandes cuidados com a alimentação. Em casa, seguíamos uma dieta mediterrânica, já de si equilibrada, mas sem preocupações específicas. Por volta dos 16 anos, achei que estava gorda. Ninguém mo disse, foi uma perceção. Sem qualquer orientação profissional, até porque na altura quase não se falava do assunto nem havia muita informação disponível, decidi cortar completamente a ingestão de hidratos de carbono.
Hoje sei que foi um erro enorme. Um atleta sem hidratos de carbono é como um carro sem combustível: não funciona bem. Estava no auge da forma física, mas depois disso comecei a ter lesões sucessivas e o meu desempenho caiu drasticamente. Mais tarde percebi que a quebra de rendimento estava diretamente relacionada com a alimentação.
A experiência foi um alerta importante. Mesmo sem grande conhecimento, fez-me perceber o impacto da alimentação na nossa vida. À medida que mais informação foi surgindo, desenvolvi um grande interesse pelos temas da alimentação e de manter um estilo de vida saudável. Gosto muito de ler sobre estes assuntos, mas sou contra fundamentalismos ou a ideia de que existe uma solução única para todos. Acredito que cada pessoa deve encontrar o seu caminho, começando por aprender a escutar o próprio corpo.
Não tenho alimentos proibidos. Há coisas que raramente como por não serem boas para a saúde, ou porque não aprecio, como os alimentos processados.
Acho que sim. Vejo isso claramente na minha filha. Quando era adolescente reclamava, sobretudo quando eu fazia refeições mais simples, como peixe cozido ou grelhado. Hoje, na casa dela, mantém muitos dos princípios que aprendeu comigo. Por exemplo, não há uma refeição sem legumes à mesa. Os princípios de manter uma alimentação saudável acabam por ficar. Não faz sentido querer que um filho coma bem se nos vê a comer mal, simplesmente não vai acontecer. As crianças aprendem muito mais pelo exemplo do que pelo discurso.
É uma questão de fazer disso um objetivo. Quando alguém me diz que não consegue, respondo que a falta de tempo não é razão. Alimentarmo-nos bem tem de ser um objetivo, como qualquer outro. Depois ganham-se rotinas.