Para Jorge Corrula o bem-estar começa muito antes do corpo. A sua arte não é apenas profissão: é forma de estar, de pensar e de cuidar de si próprio.
Ator de longa carreira, pai de duas mulheres e observador atento do mundo que o rodeia, Jorge Corrula não separa a criação artística da forma como se posiciona na vida. Pelo contrário, os dois universos cruzam-se constantemente, nos projetos que escolhe, nas personagens que constrói e nas mensagens que sente necessidade de transmitir.
Quando questionado sobre projetos recentes que lhe tenham dado especial prazer, a resposta surge com naturalidade e entusiasmo. Recorda o seu envolvimento na produção da RTP “Contado por Mulheres”, cuja segunda edição está prestes a estrear. Um projeto que, mais do que um trabalho, foi uma experiência transformadora.
«Sendo pai de duas mulheres, este projeto encaixou muito bem nesta fase da minha vida. “Contado por Mulheres”, pela perspetiva feminina, foi o projeto que ultimamente me deu mais gozo fazer».
A participação permitiu-lhe explorar um registo diferente, quase inesperado. A personagem que interpretou era «um bocadinho surrealista, quase 'cartunizada', feita a traço grosso», num formato de curta-metragem que abriu espaço para o risco, para o erro e para a descoberta.
Num meio frequentemente condicionado por prazos apertados, orçamentos e expectativas comerciais, Jorge Corrula valoriza a raridade de poder experimentar sem o peso excessivo da pressão.
«São produções que só a RTP consegue fazer. Retiram um bocadinho de pressão a toda a equipa e permitem experimentar coisas que, noutras circunstâncias, não podíamos».
Essa liberdade criativa surge como um verdadeiro motor de motivação. Não apenas pela inovação artística, mas porque devolve ao ator o prazer essencial de criar, algo que, na sua visão, está intimamente ligado ao bem-estar e à saúde.
Quando convidado a deixar um conselho aos mais jovens, Jorge Corrula afasta-se de discursos normativos e receitas rápidas. Para o ator, saúde não é apenas disciplina física ou controlo clínico rigoroso; é, sobretudo, alinhamento entre aquilo que se faz e aquilo que se é.
«Não se trata só de fazer desporto ou marcar check-ups. Em primeiro lugar, devemos fazer aquilo que gostamos de fazer, aquilo que nos faz levantar todos os dias da cama. O que nos faz levantar da cama não são as pernas nem os músculos. É o estímulo que temos na nossa profissão».
Num mundo cada vez mais acelerado, competitivo e exigente, esta ideia soa quase como um manifesto silencioso: procurar sentido no trabalho, cultivar o prazer de criar, respeitar o próprio ritmo e reconhecer que a saúde também nasce da motivação interior.
Corrula reconhece que este caminho não é fácil e que as circunstâncias nem sempre permitem escolhas ideais. Ainda assim, acredita que a procura por aquilo que nos move é um investimento essencial, não apenas para a carreira, mas para a vida.
Entre projetos que desafiam convenções, personagens que exploram o absurdo e uma visão humana sobre equilíbrio e propósito, Jorge Corrula deixa uma mensagem clara: viver com saúde é também viver com entusiasmo, curiosidade e verdade interior.
Talvez seja essa a sua maior interpretação, a de alguém que continua disponível para aprender, arriscar e, acima de tudo, sentir gosto no caminho que percorre.