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«Um atleta sem hidratos é como um carro sem gasolina»

Fátima Lopes desvenda como descobriu que não há fórmulas mágicas quando se trata de bem-estar.

Mulher a sorrir num jardim, de casaco azul e branco, com árvores e arbustos atrás

Para Fátima Lopes, a relação com a saúde e com o corpo começou a desenhar-se ainda na adolescência, muito antes de se tornar uma figura pública conhecida de todos.

«Começou quando fazia desporto de competição. Fiz atletismo durante uns bons anos», recorda. Nessa altura, o cuidado com a alimentação não era ainda uma preocupação consciente. Em casa, imperava a base sólida da dieta mediterrânica, «já equilibrada por si», mas sem regras rígidas ou estratégias definidas.

Como tantas histórias de evolução pessoal, também a da apresentadora tem um ponto de viragem. «Recordo-me que houve uma altura, devia ter uns 16 anos, em que achei que estava gorda. Ninguém mo disse, mas eu achei», conta Fátima Lopes.

Sem informação ou acompanhamento, fez o que muitas vezes ainda é o habitual: «Decidi fazer o pior: cortar de forma abrupta os hidratos de carbono. Ora, um atleta sem hidratos é como um carro sem gasolina».

A metáfora não podia ser mais clara. E as consequências também não demoraram a chegar. O que poderia ter sido apenas uma fase passageira transformou-se num período difícil. «Lembro-me que foi um ano em que tive lesões sucessivas. Estava num pico de forma fantástico e tive uma queda gigante», recorda. «Só mais tarde percebi que tinha sido fruto dessa decisão. Isso fez-me perceber que a alimentação tem uma enorme importância».

Este episódio tornou-se uma lição essencial, não apenas sobre nutrição, mas sobre escuta e respeito pelo corpo. Hoje, Fátima Lopes olha para a saúde com uma visão mais informada, mas também livre de dogmas. «Gosto muito de ler sobre alimentação e vida saudável, mas sou contra a ideia de que uma receita serve para todos».

Num tempo em que proliferam fórmulas rápidas e soluções padronizadas, a sua posição é clara: «Cada pessoa tem de encontrar o que funciona para si, e para isso tem de escutar o seu corpo». Talvez seja essa a maior aprendizagem, a de perceber que não há atalhos sustentáveis quando se trata de saúde. Que o equilíbrio não se impõe, constrói-se. E que, por vezes, são precisamente os erros que nos ensinam a viver melhor.