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«Correr, para mim, é uma meditação»

Mónica Jardim defende uma abordagem diferente ao exercício físico, centrada no prazer, no equilíbrio e na sustentabilidade.

Mulher a sorrir, com saia florida, blusa branca, sentada num banco de madeira

A apresentadora, que cresceu habituada ao movimento e ao desporto, fala da relação que construiu com o exercício não como uma obrigação ou um desafio competitivo, mas como um momento de prazer e reconexão consigo própria.

O contacto com o desporto começou cedo e de forma bastante diversificada. «Já fiz de tudo um pouco», conta. «Desde pequena comecei na escola com desporto coletivo, voleibol, basquetebol. Depois fiz ballet clássico, danças espanholas, por influência da família da minha mãe, que é espanhola, natação, equitação e boxe, que adorei», recorda.

Apesar do percurso variado, a modalidade que viria a ocupar um lugar especial na sua vida surgiu apenas mais tarde e de forma inesperada. Há cerca de 16 anos, descobriu a corrida e, com ela, uma paixão que contrariou todas as certezas que tinha sobre si própria. «Fazia parte daquela estatística que diz “correr? nunca na vida, não nasci para isso”. Pois bem, nunca digas nunca», admite.

Hoje, correr tornou-se num um ritual pessoal que associa à tranquilidade, ao contacto com a natureza e à possibilidade de desacelerar numa rotina frequentemente exigente. «Correr para mim é uma meditação: corro ao ar livre, no meio da natureza, ouço apenas os sons da natureza e aproveito para meditar. Às vezes vou a pensar na agenda da semana, outras não penso em nada».

Esta dimensão terapêutica da corrida ajuda a explicar como encara o desporto. Para a apresentadora, a atividade física só faz sentido se associada ao prazer e identificação pessoal, razão pela qual rejeita a ideia de que o exercício tenha necessariamente de passar por metas extremas ou provas de resistência. «Cada um tem de encontrar o desporto com que mais se identifica e gosta de praticar».

É também por isso que estabelece limites muito claros na forma como pratica corrida, recusando transformar aquilo que considera um momento de bem-estar numa exigência excessiva. «Não aceito convites para maratonas ou meias-maratonas. A corrida tem de me dar prazer, e isso significa no máximo 8 a 10 quilómetros por dia. Mais do que isso é um esforço e perco o prazer», explica.

Sem fórmulas universais, nem ritmos obrigatórios – «cada um tem de ir ao seu ritmo, à sua distância e à sua velocidade» –, entre o movimento, a disciplina e o prazer, Mónica Jardim deixa uma visão equilibrada do bem-estar, lembrando que a relação com o corpo e com a saúde pode ser construída sem pressões excessivas, mas com escolhas conscientes e consistência.