Por detrás do sorriso que os portugueses conhecem há mais de três décadas, existe uma escolha consciente de José Figueiras: comunicar através da proximidade, da leveza e da boa disposição.
Durante mais de três décadas, o apresentador habituou os portugueses a recebê-los com um sorriso. Seja em programas de entretenimento, concursos ou emissões em direto, a boa disposição tornou-se uma das suas imagens de marca. Ao contrário do que muitos poderão pensar, essa energia não resulta apenas da personalidade. É também uma escolha consciente, construída ao longo de um percurso onde aprendeu a conhecer os seus limites e a perceber onde faz mais sentido estar.
Ao recordar os seus 34 anos de carreira em televisão, José Figueiras recusa olhar para trás com amargura. Reconhece que houve desafios, projetos menos felizes e momentos exigentes, mas evita classificá-los como negativos. «Houve coisas boas e outras menos boas», descreve, «detesto dizer que houve coisas más, porque não houve, os momentos menos bons também fazem parte do nosso percurso».
A forma como descreve o seu caminho revela uma característica que atravessa toda a entrevista: a tendência para procurar o lado construtivo das experiências. Em vez de se focar no que correu menos bem, prefere valorizar aquilo que cada etapa lhe ensinou. É uma forma de estar que, acredita, também explica a energia positiva que continua a transmitir ao público.
José Figueiras nunca sentiu necessidade de experimentar todos os formatos televisivos. Pelo contrário, considera que a maturidade profissional lhe trouxe uma maior consciência daquilo que verdadeiramente o realiza. «O projeto ideal para mim tem de ter conversa, música, descontração e boa disposição», afirma, sem hesitações.
Não é apenas uma preferência por programas de entretenimento. É o reconhecimento de que cada comunicador deve encontrar o espaço onde consegue ser mais genuíno. Enquanto alguns profissionais se sentem realizados a conduzir formatos marcados pela emoção intensa ou por histórias de grande carga dramática, José Figueiras sabe que esse não seria o seu lugar. «Não me vejo a fazer programas muito intensos», explica, «são necessários e têm o seu valor, mas eu não conseguiria.»
A razão está na forma como vive a relação com as pessoas. Assume-se como alguém profundamente emotivo e acredita que dificilmente conseguiria desligar-se das histórias mais difíceis no final do dia. «Tenho este lado tão emotivo e tão afetivo que acho que levava os problemas das pessoas para casa».
É precisamente essa sensibilidade que o aproxima dos formatos onde a interação espontânea ocupa um lugar central. «Gosto muito de programas em direto, na rua, que envolvam o público, as pessoas».
Mais do que apresentar programas, o apresentador procura estabelecer ligações, criar proximidade e proporcionar momentos de leveza. Num contexto em que a informação circula a um ritmo acelerado e as notícias são, muitas vezes, marcadas pela preocupação e pela tensão, José Figueiras acredita que o entretenimento continua a desempenhar um papel importante. Não como forma de ignorar a realidade, mas como um espaço onde também há lugar para respirar, sorrir e recuperar a energia.
Afinal, depois de 34 anos em televisão, continua a defender que comunicar é, acima de tudo, estar próximo. E talvez seja essa autenticidade, aliada à capacidade de nunca perder a boa disposição, que explica porque continua a ser uma das figuras mais acarinhadas da televisão portuguesa.