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A teia invisível

Sabias que uma microbiota intestinal saudável influencia a forma como pensas, sentes e vives?

prato com alimentos saudáveis para ajudar com a alimentação equilibrada

O diálogo entre o cérebro e o intestino, mediado pela microbiota, tem revelado uma teia invisível que conecta a saúde do corpo à harmonia da mente e ao equilíbrio geral das pessoas. A comunicação entre os dois órgãos ocorre através de três vias: o nervo vago; o sistema imunitário, por via da produção de moléculas inflamatórias; e a ação de substâncias químicas produzidas pela microbiota intestinal (constituída por biliões de vírus, fungos, bactérias e parasitas) e que são absorvidas para a corrente sanguínea.

Diversos estudos têm mostrado que alterações na composição da microbiota gastrintestinal podem estar associadas a perturbações como ansiedade, depressão, stresse crónico e défices cognitivos. Um dos trabalhos mais relevantes nesta área concluiu que indivíduos com maior qualidade de vida apresentavam níveis mais elevados de bactérias como a Faecalibacterium e a Coprococcus. Estudos recentes confirmaram que pessoas com diagnóstico de depressão apresentavam uma presença inferior destes micro-organismos e mais bactérias com efeito potencialmente inflamatório.

Quando existe um desequilíbrio da microbiota, situação conhecida como disbiose, pode ocorrer um aumento da permeabilidade intestinal. Isto permite a passagem de substâncias inflamatórias para a corrente sanguínea, contribuindo para uma ativação crónica do sistema imunitário e maior probabilidade de sofrer de fadiga persistente, alterações de memória, dificuldade de concentração e sintomas depressivos.

O perigo do stresse

O stresse, tão característico das sociedades modernas, ativa o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, aumentando a libertação de cortisol, conduzindo à rápida alteração da composição da microbiota intestinal.

Mesmo situações de stresse agudo (pontual) podem reduzir a diversidade bacteriana e modificar a composição da microbiota em poucas horas. Estas alterações ajudam a explicar a razão por que períodos de ansiedade, privação de sono ou stresse prolongado estão frequentemente associados a sintomas gastrintestinais, como dores abdominais, diarreia, obstipação, flatulência excessiva e distensão abdominal.

A boa notícia é que a microbiota é altamente influenciável pelo estilo de vida. A alimentação desempenha um papel central neste processo. Dietas ricas em legumes, fruta, leguminosas, cereais integrais, frutos secos, sementes, azeite virgem extra e alimentos fermentados que funcionam como simbióticos ricos em probióticos e prebióticos (ex.: kimchi, miso, chucrute, tempeh) promovem uma maior diversidade microbiana, e melhoram a saúde metabólica e mental.

Para além da alimentação, fatores como uma boa higiene de sono, a prática regular de atividade física e a gestão do stresse contribuem para a manutenção de um ecossistema intestinal saudável.