As poeiras vindas do deserto do Saara afetam cada vez mais a Europa, com impacto na qualidade do ar e na saúde. Saiba como proteger-se destes episódios e minimizar os riscos para o sistema respiratório e cardiovascular.
Texto de Jaime Pina | Médico pneumologista e imunoalergologista | Fundação Portuguesa do Pulmão
A Europa está a sofrer cada vez mais episódios de poluição natural, originados por poeiras vindas do Norte de África, mais concretamente do deserto do Saara. Estas poeiras, formadas a partir de tempestades de areia (conhecidas como haboobs), são constituídas por diversas partículas que são responsáveis pela cor alaranjada que vemos no céu.
As regiões atingidas registam uma importante degradação da qualidade do ar, com redução da visibilidade e contaminação de todo o meio ambiente.
Relativamente à saúde, as repercussões mais frequentes acontecem devido ao efeito irritativo direto sobre a pele e as mucosas mais expostas: a nasal e a ocular. Os olhos ficam vermelhos e lacrimejantes; quanto ao nariz, a inflamação manifesta-se através de espirros, prurido e pingo.
Também o aparelho respiratório e o sistema cardiovascular são afetados. Relativamente ao primeiro, destacam-se os episódios de inflamação dos brônquios, sentidos sobretudo pelos doentes com asma e bronquite. Quanto ao segundo, sabemos que as partículas mais finas podem provocar acidentes vasculares, por vezes fatais.
Existem alguns comportamentos que ajudam a minimizar os riscos, sobretudo em crianças, idosos e doentes crónicos: