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Cirurgia às pálpebras

Nem todas as motivações são estéticas.

mulher numa maquina para uma intervenção e possível cirurgia às palpebras

A blefaroplastia funcional é uma intervenção cirúrgica que tem como objetivo corrigir alterações degenerativas das pálpebras superiores. Mas, ao contrário da blefaroplastia estética, a variante funcional está indicada quando existe perda de função decorrente do excesso de pele, ou seja, um comprometimento da visão e da qualidade de vida.

Em muitos casos, os benefícios da blefaroplastia funcional vão bastante além da melhoria visual. A eliminação da sensação de peso constante nas pálpebras e a recuperação de um campo visual pleno têm um impacto profundamente positivo na autonomia e no bem-estar em geral. Conduzir, ler, trabalhar ao computador ou simplesmente passear na rua tornam-se atividades mais seguras e confortáveis.

Quais as razões que justificam a realização da blefaroplastia funcional?

Com o avançar da idade, a pele perde progressivamente a elasticidade. Esta perda de firmeza generalizada afeta também as pálpebras superiores. Começa a acumular-se algum excedente de pele, o que tem como resultado uma ptose palpebral – termo médico utilizado para descrever a descida da pálpebra. Esta pode atingir um grau suficientemente severo para obstruir o campo visual. E, em casos mais avançados, até os campos de visão lateral e central podem ser afetados.

Para além do excesso de pele, há também, por vezes, acumulações de gordura que contribuem para o peso e a queda da pálpebra.

A combinação destes dois fatores – excesso de pele e acumulação de gordura – é frequentemente a causa do problema funcional que justifica a intervenção.

Quais os sintomas associados a esta condição?

As queixas começam, muitas vezes, por ser subtis e vão-se agravando de forma gradual. Passam pela sensação de peso nas pálpebras, dificuldade em manter os olhos abertos durante períodos prolongados, visão tapada na parte lateral e excesso de rugas na testa – provocado pelo esforço constante dos músculos da região frontal, que tentam compensar a descida das pálpebras com a elevação das sobrancelhas. Este mecanismo compensatório é um sinal clínico importante. Habitualmente, é durante a avaliação detalhada em oftalmologia que esta disfunção é detetada.

Em que consiste a cirurgia?

A blefaroplastia funcional é normalmente realizada em regime ambulatório, sob anestesia local e sedação. O cirurgião remove o excesso de pele e, quando necessário, o tecido adiposo, através de uma incisão feita próximo da prega natural da pálpebra. Dessa forma, a cicatriz pode ficar quase impercetível. É possível prever o grau de visibilidade da cicatriz no doente, avaliando o tipo de pele e outras cicatrizes que possam existir.

Como decorre o pós-operatório?

O pós-operatório é geralmente bem tolerado. É expectável a presença de algum edema discreto e poucas ou nenhumas equimoses (nódoas negras) nas primeiras duas semanas. Deve seguir-se, rigorosamente, as indicações dadas no sentido de otimizar a cicatrização e melhorar a velocidade e qualidade da mesma. A visão pode estar ligeiramente turva nos primeiros dias após a cirurgia, mas a maioria dos doentes retoma as atividades quotidianas em cerca de uma a duas semanas. O resultado definitivo, com total resolução do inchaço e cicatrização completa, é atingido ao fim de dois a três meses.