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Cirurgia da Obesidade na mulher

A cirurgia bariátrica pode melhorar a fertilidade e a saúde hormonal da mulher com obesidade. Descobre os seus benefícios e cuidados essenciais.

mulher a fazer uma pausa do exercício com garrafa de água

Uma abordagem que pode contribuir para a saúde reprodutiva e fertilidade.

A obesidade é um dos maiores problemas de saúde em Portugal e a cirurgia bariátrica e metabólica é, até à data, o tratamento mais eficaz para as pessoas com obesidade que procuram uma redução de peso duradoura. 

Quando feita em hospitais reconhecidos e por cirurgiões experientes, é uma cirurgia muito segura, já que o avanço no conhecimento da doença tem permitido introduzir novas abordagens, menos invasivas, como a laparoscopia ou a
cirurgia robótica, contribuindo para uma melhor recuperação dos doentes. 

Na presença de doenças associadas, como a diabetes tipo II ou a apneia do sono, este tipo de intervenção pode melhorar ou mesmo resolver essas condições, com impacto positivo na saúde global e, consequentemente, na qualidade e esperança de vida.

Olhando para a população feminina, estima-se que a obesidade afete cerca de 15% das mulheres em Portugal, de acordo com o Instituto Nacional de Estatística. Colocar o olhar sobre a população feminina é importante porque, embora os critérios que determinam o encaminhamento para cirurgia bariátrica e metabólica sejam os mesmos para homens e mulheres, existem particularidades nas mulheres que, ao falarmos de cirurgia de obesidade, merecem atenção, sobretudo nas áreas da saúde reprodutiva, contracetiva e óssea.

A cirurgia bariátrica é o tratamento mais eficaz para uma redução de peso duradoura 

Importa sublinhar que muitas mulheres com obesidade sofrem de síndrome do ovário poliquístico (SOP), que pode provocar ciclos menstruais irregulares, excesso de androgénios (um tipo de hormonas) e dificuldades de ovulação. Após a cirurgia, é frequente ocorrer uma melhoria significativa destes sintomas, com ciclos mais regulares, redução da acne e do excesso de pelos, bem como uma maior probabilidade de ovulação e fertilidade. Verifica-se, ainda, uma diminuição da resistência à insulina, o que reduz o risco de desenvolvimento de diabetes tipo II e potencia a resposta ovárica. 

Com a melhoria do equilíbrio hormonal, muitas mulheres em idade reprodutiva aumentam a fertilidade após a cirurgia. Algumas cirurgias comprometem a absorção dos anticoncecionais orais (nomeadamente aquelas que envolvem o intestino delgado, como o bypass gástrico), pelo que se aconselha evitar o uso dos mesmos após o ato cirúrgico e procurar uma alternativa junto de um profissional de ginecologia.

A obesidade afeta 15% das mulheres em Portugal

A osteoporose é outra preocupação relevante, especialmente em mulheres submetidas a cirurgia de obesidade, devido às alterações verificadas na absorção de nutrientes essenciais à saúde óssea, em particular durante a menopausa, devido às alterações hormonais que ocorrem. 

Nas cirurgias de obesidade com derivação intestinal existe uma diminuição da absorção de cálcio e vitamina D, (essenciais à mineralização óssea). Por outro lado, a perda rápida de gordura pode reduzir os níveis de estrogénio, que também contribui para a perda óssea, agravada nas mulheres peri-menopáusicas. 

Para diminuir o risco de osteoporose, recomenda-se uma suplementação adequada de vitamina D e cálcio, exames regulares e a prática de exercício físico de impacto moderado. 

Em conclusão, a cirurgia de obesidade é especialmente importante nas mulheres porque, além dos benefícios também verificados nos homens, pode significar uma melhoria significativa da sua saúde reprodutiva

Uma abordagem multidisciplinar é essencial para garantir que cada mulher percorre este caminho de forma segura, informada e acompanhada.

Artigo pelo Dr. John Preto - Coordenador de Cirurgia Geral e da Unidade de Cirurgia de Obesidade e Metabólica do Hospital CUF Porto.