Sabe como aliviar o desconforto dos bebés e das crianças.
Quando as crianças surgem com os olhos vermelhos, queixas de comichão ou desconforto, a conjuntivite alérgica costuma ser uma das causas mais frequentes. Embora não se trate de uma condição grave, pode provocar incómodo, pelo que reconhecer as suas manifestações é o primeiro passo para aliviar o desconforto e seguir o tratamento mais adequado. Esta condição tende a afetar ambos os olhos em simultâneo e manifesta-se por comichão intensa, olhos vermelhos, lacrimejo, pálpebras incha das e secreção clara. É também frequente que bebés e crianças esfreguem repetidamente os olhos, gesto que tende a agravar a irritação.
Situação distinta é a da conjuntivite infeciosa, que costuma começar num olho e só depois passa para o outro, produzindo uma secreção amarelada, ou esverdeada, que pode fazer com que as pálpebras se colem durante o sono. Ao contrário da conjuntivite alérgica, a infeciosa é contagiosa. Existe uma regra simples para distinguir uma da outra: comichão e lágrima transparente sugerem alergia, enquanto pus e olho “colado” sugere infeção.
A conjuntivite alérgica ocorre quando a conjuntiva, membrana fina e transparente que reveste a parte branca do olho, e a face interna das pálpebras entram em contacto com pólenes, ácaros do pó, pelos de animais ou fungos. Algumas situações do dia a dia podem aumentar a exposição a esses agentes e favorecer o aparecimento de sintomas. É o caso do contacto com peluches, tapetes ou pó; prática de atividades ao ar livre em dias de vento ou níveis elevados de pólen; contacto com animais; permanência em ambientes com ar condicionado; e exposição ao fumo do tabaco ou ao cloro das piscinas.
Garantir que a criança lava as mãos, o rosto e as pestanas, muda de roupa ao chegar da rua e que, em dias de vento ou de pólenes, utiliza óculos de sol, para ajudar a proteger os olhos, são práticas simples que podem fazer uma grande diferença na prevenção de novos episódios. Os peluches devem estar sempre limpos, e a casa deve ser aspirada e ventilada regularmente. Outras medidas passam por evitar o fumo do tabaco, usar um humidificador em ambientes muito secos e evitar a praia nas horas de maior calor.
Se surgirem sintomas, recomenda-se a aplicação de lágrimas artificiais sem conservantes, ou soro fisiológico em unidoses. Colírios antigos ou sem indicação médica nunca são opção. Também não deve aplicar gelo diretamente na pele, optando por compressas. Para limpar as secreções, use toalhitas próprias para a higiene ocular ou compressas com soro fisiológico, de forma suave, não exercendo pressão. Enquanto os sintomas persistirem, evite ambientes que possam contribuir para a irritação dos olhos. É também importante evitar que a criança esfregue os olhos, mesmo que este seja um gesto natural perante o desconforto.
Recomenda-se a avaliação por um médico se surgir dor, sensibilidade intensa à luz, visão turva, secreção espessa ou se os sintomas persistirem por mais de 48 horas. Nos bebés muito pequenos, a observação médica é igualmente recomendada. O tratamento inclui lágrimas artificiais e colírios anti-histamínicos. Nos casos persistentes ou mais intensos, podem ser usados colírios com corticoides. Em situações recorrentes ou difíceis de controlar, a imunoterapia pode ser indicada.
Se o seu filho costuma sofrer de conjuntivite alérgica, lembre-se: pequenos cuidados podem fazer uma grande diferença no seu conforto e bem-estar.