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Coração e rim unidos na saúde e na doença

Ao proteger os rins também estás a proteger o coração.

médico e paciente a falar sobre coração e rins enquanto escrevem

As doenças cardiovasculares, renais e metabólicas são problemas que, isolados, traduzem grandes preocupações de saúde devido ao seu impacto. Quando se juntam, constituem o chamado ciclo de risco mútuo que, neste contexto, se denomina síndrome cardio-renal-metabólica, ou simplesmente CRM. A verdade é que o coração, os rins e o sistema metabólico comunicam constantemente entre si através de mecanismos complexos, e quando algo corre mal num destes sistemas, os outros sofrem as consequências.

Doença renal crónica, uma epidemia silenciosa

Olhando para um dos lados deste triângulo de risco, a doença renal crónica, que se caracteriza pelo declínio lento e irreversível das funções dos rins, é conhecida como uma epidemia oculta e constitui um grave problema de Saúde Pública, que afeta cerca de um em cada dez adultos em todo o mundo.

Em Portugal, a prevalência estimada desta doença é de até 20,9%, um valor bastante superior à média global. Nos países desenvolvidos, a doença renal crónica é mais frequentemente causada pela diabetes e pela hipertensão, duas das condições que compõem este complexo puzzle CRM.

O triângulo de risco: coração, rins e metabolismo

O coração atua como o motor da síndrome CRM. As doenças cardiovasculares constituem um fator de risco central, que acelera tanto a doença renal como as complicações metabólicas. Frequentemente coexistentes com a diabetes e a doença renal crónica, acabam por ser agravadas pelos níveis elevados de lípidos no sangue (dislipidemia) e pela resistência à insulina.

Por sua vez, os rins funcionam como um termómetro do risco global: a sua progressão é dramaticamente acelerada em pessoas com diabetes e hipertensão. A função renal comprometida serve como marcador precoce de perigo.

Estabelece-se aqui uma das relações mais perigosas da medicina: a insuficiência renal aumenta o risco de insuficiência cardíaca e vice-versa.

No centro de tudo está o metabolismo. A componente metabólica é o eixo central CRM, associada à obesidade e à resistência à insulina, consideradas verdadeiras epidemias dos tempos modernos. É o metabolismo que eleva o risco cardiovascular, acelera a lesão renal e contribui para a hipertensão. Mais do que isso: gera um estado de inflamação crónica e resistência à insulina que alimentam continuamente as outras duas componentes, mantendo o ciclo em movimento perpétuo. A diabetes m, de resto, identificada como a causa mais frequente de doença renal crónica avançada.

Tratar um protege os outros

É por isso que reconhecer e tratar a CRM como um todo, e não como doenças isoladas, se tornou uma prioridade na medicina moderna. A boa notícia é que, no caso da doença renal, proteger a saúde dos rins ajuda a evitar doenças cardiovasculares e metabólicas.

A prática regular de exercício físico, uma alimentação saudável, consumo moderado de açúcar e de sal, medir regularmente a pressão arterial, manter uma boa hidratação e dizer não ao tabaco são medidas simples, mas poderosas, com efeito protetor na CRM.

Quem tem diabetes mellitus, hipertensão arterial, obesidade ou história familiar de doença renal, deve verificar regularmente a sua função renal, falar com o seu médico e estar a par do que se passa com a saúde dos seus rins, porque, ao mesmo tempo, pode estar a proteger também o coração e o metabolismo.