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Cuidar da visão

Aprende a reconhecer os sinais de alerta e a proteger-te.

mulher a fazer um teste de visão com o apoio de uma oftalmologista

Enquanto oftalmologista, é frequente encontrar pessoas que só procuram observação quando notam alterações significativas na visão. Contudo, grande parte das doenças oculares evolui de forma silenciosa, sem dor e sem sintomas evidentes até fases avançadas. Por essa razão, o diagnóstico precoce é um dos pilares fundamentais da preservação da visão. Identificar alterações numa fase inicial permite atuar de forma mais eficaz, limitar a progressão da doença e manter a melhor qualidade de visão possível ao longo dos anos.

 Desenvolvimento da visão

Nos primeiros anos de vida, o sistema visual encontra-se em desenvolvimento. Se não forem identificadas e tratadas precocemente, condições como o estrabismo, a ambliopia e os erros refrativos podem comprometer a formação da visão e o desempenho escolar. Por isso, a avaliação oftalmológica na infância deve ser entendida como parte integrante dos cuidados de saúde da criança.

Visão na idade adulta e doenças associadas a fatores sistémicos

Na idade adulta, surgem situações que exigem vigilância continuada. A retinopatia diabética, por exemplo, pode evoluir sem sintomas até fases avançadas. O exame oftalmológico regular permite detetar alterações antes que ocorram perdas irreversíveis da visão. Nesta etapa, a articulação entre oftalmologia e cuidados multidisciplinares é fundamental.

Envelhecimento e patologias degenerativas

Com o envelhecimento, aumenta a probabilidade de surgirem doenças como:

  • Degenerescência macular da idade, que afeta a visão central;
  • Glaucoma, frequentemente assintomático até fases tardias;
  • Catarata, que pode ser tratada cirurgicamente com grande eficácia.

Ao longo da minha prática clínica, tenho observado frequentemente casos de doentes que chegam tardiamente ao diagnóstico, quando a capacidade de intervenção já é limitada. Esta experiência reforça diariamente a importância do rastreio regular, mesmo na ausência de queixas visuais.

Existem ainda doenças menos comuns — como o queratocone, algumas neuropatias óticas e as uveítes — que podem estar associadas a outras condições sistémicas, exigindo acompanhamento especializado continuado. Nestas situações, explicar a doença, envolver a pessoa no plano terapêutico e manter o acompanhamento é fundamental. O cuidado da visão é sempre um processo partilhado entre médico e doente.

Rastrear para proteger

Recomenda-se avaliação oftalmológica:

  • Na infância e adolescência, durante as fases de desenvolvimento visual;
  • Em pessoas com doenças crónicas, como diabetes e hipertensão;
  • Após os 60 anos, mesmo na ausência de sintomas;
  • Em indivíduos com antecedentes familiares de doenças oculares.

A proximidade das farmácias e dos cuidados de saúde primários pode facilitar o encaminhamento para observação especializada quando necessário.

A visão é um elemento central da autonomia e da participação ativa na vida pessoal, social e profissional. Preservar a visão implica prevenir, acompanhar e informar.

A mensagem essencial permanece: a vigilância regular é a forma mais eficaz de proteger a saúde ocular.