O caminho para recuperar de lesões desportivas.
A prática de exercício físico é um pilar da longevidade. Porém, até uma corridinha ocasional ou um treino no ginásio podem dar origem a lesões. A forma mais eficiente para recuperar de lesões desportivas passa pela medicina física e reabilitação e pela medicina desportiva.
Não existe uma “receita” única para todos, mas a regra de ouro é nunca excluir qualquer destas duas vertentes. Podemos pensar no nosso corpo como um carro: o treino cardiovascular é o motor, essencial para manter o coração, os pulmões e o sistema metabólico saudáveis. Já o treino de força é a carroçaria e o chassis: são os músculos fortes que estabilizam as articulações, suportam os impactos e evitam lesões. Para maximizar a longevidade, precisamos de um motor forte numa estrutura resistente. Nesse sentido, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda 150 a 300 minutos de atividade aeróbica semanal combinados com, pelo menos, dois treinos de força.
Com o passar dos anos, é inevitável que os tendões e ligamentos percam parte da sua hidratação e flexibilidade. Tornam-se “elásticos” mais velhos, com risco aumentado de lesão, sobretudo em desportos de alto impacto ou que impliquem mudanças bruscas de direção, como a corrida ou o padel. A melhor proteção passa pelo aquecimento rigoroso e inegociável; gestão de carga progressiva; reforço muscular específico em redor de articulações mais vulneráveis; e pela recuperação adequada, incluindo o sono, a hidratação e a nutrição.
Qualquer pessoa que vá iniciar uma atividade desportiva, ou que decida aumentar drasticamente a sua intensidade, deve fazer uma avaliação, para identificar assimetrias musculares ou falhas biomecânicas, antes que estas causem estragos.
Quem já pratica desporto deve procurar uma consulta médica: sempre que surgir uma dor que não desaparece com repouso ao fim de alguns dias; se a dor se agravar durante ou após o treino; e se sentir necessidade de alterar a sua biomecânica para evitar a dor (por exemplo, apoiar o pé de forma diferente ao correr, ou adaptar a forma como pega na raquete).
Na medicina desportiva contamos com tecnologia de ponta e equipas multidisciplinares: várias especialidades, fisioterapeutas, fisiologistas, entre outros, para garantir o regresso rápido e seguro ao desporto.
Parar é contraproducente. Ficar imobilizado enfraquece a musculatura que suporta as articulações. A médio e longo prazo, isso vai sobrecarregar mais as estruturas ósseas e articulares, agravando a dor e gerando um círculo vicioso de debilidade e medo de contrair novas lesões.
O exercício físico promove a libertação de endorfinas, os nossos analgésicos naturais. Por isso, as diretrizes médicas internacionais (como as relativas à lombalgia inespecífica) recomendam o regresso precoce ao movimento em detrimento do repouso prolongado. Em vez de interrompido, o movimento deve ser adaptado, devidamente doseado e desenhado de forma estritamente individualizada com acompanhamento clínico.