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E depois da alta?

O que deves fazer após sofrer um enfarte do miocárdio.

senhor a caminhar ao ar livre, com um chapeu e oculos escuros após ter alta hospitalar

O enfarte do miocárdio, mais conhecido como “ataque cardíaco”, resulta da obstrução súbita de uma artéria coronária, impedindo que o sangue chegue a uma parte do músculo cardíaco.

Sem oxigénio, as células do coração começam a morrer em poucos minutos. Apesar dos enormes avanços registados no tratamento agudo, o que acontece após o enfarte continua a ser determinante para o futuro da pessoa com doença.

As sequelas são muito variáveis, dependendo da extensão da área afetada e da rapidez com que a pessoa recebeu auxílio. Em alguns casos, a função cardíaca recupera quase totalmente; noutros, persiste uma cicatriz no músculo cardíaco, que pode comprometer a capacidade do coração de bombear eficazmente. Essa marca traduz-se, por vezes, na redução da tolerância ao esforço, insuficiência cardíaca ou arritmias.

Depois de um enfarte, a medicação assume um papel essencial. Na maioria dos casos, os antiagregantes plaquetários, as estatinas e os bloqueadores neuro-hormonais constituem a base do tratamento. Estes medicamentos reduzem o risco de sofrer um novo episódio, protegem o músculo cardíaco e permitem prolongar o tempo de vida depois de um enfarte. É imperativo que as pessoas com doença tenham consciência da importância de cumprir a terapêutica rigorosamente, tal como recomendado pelo médico. A sua suspensão ou irregularidades na toma estão associadas ao aumento significativo de eventos cardiovasculares. Assim, a adesão rigorosa deve ser encarada como parte integrante do tratamento, que começou com a intervenção realizada no hospital. Outra prioridade deve ser a mudança no estilo de vida. Um enfarte está frequentemente associado a fatores de risco modificáveis. Entre os mais relevantes encontram-se o tabagismo, a hipertensão, dislipidemia (níveis elevados de colesterol, especialmente o LDL – o chamado colesterol “mau”), diabetes, obesidade e o sedentarismo. A cessação tabágica é a medida isolada com maior impacto na redução do risco futuro. Quanto à alimentação, deve privilegiar o padrão mediterrânico, rico em frutas, legumes, peixe e azeite, enquanto o exercício físico regular ajuda a recuperar a capacidade funcional e a proteger o sistema cardiovascular.

Quando falamos do pós-enfarte, a reabilitação cardíaca assume também um papel essencial. Trata-se de um programa estruturado que integra exercício adaptado e supervisionado, otimização da terapêutica, educação para a saúde, apoio nutricional e psicossocial. Não se limita ao ginásio hospitalar. É uma verdadeira reeducação do corpo e da mente. A evidência é inequívoca: a reabilitação cardíaca reduz a mortalidade, melhora a qualidade de vida e diminui o risco de novos eventos cardiovasculares.

Reconhecer sinais de alerta é outro ponto crítico e que pode fazer toda a diferença no prognóstico. Dor no peito, falta de ar e fadiga inexplicada não devem ser ignorados, sobretudo por quem já teve um enfarte. Muitas vezes, num segundo episódio, os sintomas são mais subtis do que no primeiro enfarte. Procurar ajuda médica imediata pode salvar o músculo cardíaco e a vida de quem está em risco.

O enfarte não é um ponto final, mas um momento de viragem. O verdadeiro desafio começa após a alta hospitalar, quando a pessoa regressa à sua vida e às escolhas diárias. É nesse momento que a medicina deixa de ser apenas intervenção e passa a ser continuidade, numa parceria entre a ciência e o compromisso individual.