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Lipedema na gravidez

Aprende a distinguir a diferença entre um inchaço normal e uma doença inflamatória.

mulher grávida em casa, sentada no sofá agarrada à barriga a olhar para a janela

Para quem vive com lipedema, a gravidez pode tornar-se um período de grande esforço físico e emocional. Muitas vezes confundida com excesso de peso ou retenção de líquidos, esta é uma doença crónica e inflamatória, que afeta predominantemente as mulheres. Caracteriza-se pela acumulação anormal de gordura nos membros inferiores e, por vezes, também nos membros superiores.

Além da sensação de pernas pesadas, do inchaço e do cansaço, os sintomas mais comuns incluem dor, sensibilidade extrema ao toque, nódoas negras frequentes, e uma resistência frustrante a dietas e exercícios convencionais.

Durante a gravidez, pode surgir a questão: “Será apenas inchaço ou será lipedema?” Há sinais evidentes que permitem esclarecer a dúvida. Enquanto o inchaço gestacional comum (retenção de líquidos) costuma ceder com o repouso e a elevação das pernas, no lipedema esta é uma situação persistente. Para além disso, existem duas outras diferenças visíveis: a textura da pele no lipedema tende a ser irregular, apresentando nódulos, e os pés e as mãos são poupados, com o típico sinal de garrote no tornozelo; ou seja, a gordura termina acima do pé ou da mão. Na retenção hídrica global, pelo contrário, os pés e as mãos também incham.

Para as grávidas que sofrem de lipedema, o potencial risco de outras doenças circulatórias é uma preocupação. Ter lipedema não causa, por si só, varizes ou trombose venosa. No entanto, a gravidez traz desafios naturais. A dilatação venosa hormonal e a pressão do útero nas veias aumentam o risco de varizes, enquanto o estado de maior coagulabilidade do sangue potencia o risco de trombose. Embora o lipedema não seja a causa direta, a inflamação do tecido e a imobilidade causada pela dor funcionam como fatores de risco acrescidos que exigem vigilância atenta.

Uma vez confirmado o diagnóstico de lipedema, a palavra de ordem é controlo. Longe de dietas restritivas, o foco deve estar na abordagem geral ao nível dos cuidados: o exercício adaptado – como hidroginástica, caminhadas curtas ou ioga – é vital para estimular a circulação através do movimento muscular. A este aliado somam-se o uso indispensável de compressão elástica, massagens de drenagem linfática manual e uma alimentação anti-inflamatória. Priorizar alimentos frescos, reduzindo o sal e os produtos processados, é um pilar essencial para controlar a dor e o inchaço.

Muitas grávidas acreditam que os sintomas desaparecerão após o nascimento do bebé, mas a queda hormonal abrupta pode, inicialmente, agravar o inchaço e o endurecimento dos tecidos. Para além disso, o pós-parto traz novos desafios de sono e mudanças na rotina que podem condicionar o controlo da doença. Manter o acompanhamento médico é fundamental para estabilizar o quadro clínico.

Não assuma que qualquer inchaço e peso nas pernas são normais na gravidez. No caso de ser lipedema, é bom saber que a compressão, a dieta adequada e o exercício podem fazer toda a diferença. Aliviar os sintomas representa não apenas recuperar o bem-estar físico, mas também reduzir a ansiedade, permitindo viver a gestação de forma mais tranquila.