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Mais contacto, mais memória

Conhece o poder transformador das relações sociais na saúde cerebral.

casal idoso a jogar às cartas, a interagir, a estabelecer mais contacto, para estimular o cérebro e ter mais memória

Para envelhecer melhor, o cérebro precisa de vínculo emocional, estímulo e presença humana. Muito mais do que entretenimento, as atividades sociais representam um caminho para a longevidade com qualidade de vida e são uma “arma” contra os problemas que afetam a memória, a função cognitiva e a saúde mental.

De que modo a participação regular em atividades sociais atua na preservação da memória e na prevenção do declínio cognitivo?

O convívio social é uma das formas mais naturais e eficazes de manter o cérebro ativo. Uma atividade regular e saudável constitui a chave da manutenção da boa saúde cerebral. O cérebro é como um músculo: precisa de atividade para não atrofiar e perder capacidades. Sempre que conversamos, recordamos histórias ou nos adaptamos a diferentes pessoas e situações, estamos a exercitar várias funções mentais. É essa dinâmica constante que ajuda a preservar a memória e outras capacidades cognitivas ao longo dos anos. Estar com pessoas também protege o cérebro de forma indireta, ao ajudar a combater o stresse e o desânimo. Todos estes fatores reforçam a chamada reserva cognitiva, isto é, a capacidade que o cérebro tem para lidar com as mudanças do envelhecimento e continuar a funcionar bem durante mais tempo.

Qual o impacto direto do isolamento social no envelhecimento acelerado do cérebro?

O impacto é real e, muitas vezes, subestimado. Quando falta convívio, há menos estímulo mental, menos motivação e mais stresse. O stresse aumenta os níveis de cortisol e de inflamação sistémica, que, quando persistentes, podem prejudicar estruturas cerebrais envolvidas na memória e na regulação emocional, como o hipocampo e o córtex pré-frontal. Com o tempo, isso pode refletir-se no desempenho cognitivo, prejudicando, entre outras funções, a memória, a atenção e até a rapidez de raciocínio.

Como pode o bem-estar emocional, gerado pelas relações interpessoais, proteger a saúde neurológica a longo prazo?

As relações humanas positivas protegem o cérebro porque ajudam a regular o stresse. Quando nos sentimos apoiados e integrados, o organismo funciona de forma mais equilibrada e sofre de forma menos expressiva os efeitos do stresse prolongado.

O afeto e o sentimento de pertença funcionam quase como um escudo protetor, induzindo o cérebro a libertar oxitocina (a hormona do vínculo) e endorfinas (as hormonas do bem-estar). Isso contribui para a estabilidade emocional, que tem reflexos muito positivos e objetivos na saúde do cérebro. Além disso, as relações próximas e seguras reduzem o risco de depressão, hoje reconhecida como um fator de risco para o declínio cognitivo e a demência.

Quais as dinâmicas sociais recomendadas para manter a agilidade mental, evitar o isolamento, e garantir qualidade de vida e longevidade?

As melhores dinâmicas são as que associam contacto humano, estímulo mental e, sempre que possível, algum movimento ou atividade física.

Na prática, vale a pena apostar em atividades como grupos de leitura ou de discussão, aulas de dança, caminhadas em grupo, aprendizagem de línguas, música, voluntariado e jogos de estratégia. Atividades culturais e participação em associações comunitárias também são particularmente benéficas.

A fórmula mais eficaz para proteger o cérebro assenta em três pilares fundamentais: movimento, mente e socialização. Sempre que conseguimos juntar estes três elementos, estamos a cuidar não só da memória e da atenção, mas também do bem-estar, da autonomia e da qualidade de vida.