Saiba reconhecer os sinais de malnutrição em idosos e a importância de uma intervenção precoce para garantir saúde, bem-estar e qualidade de vida na terceira idade.
Texto de Ana Filipa Pereira | Nutricionista
Em Portugal, o número de idosos tem vindo a aumentar nos últimos anos, sendo fundamental saber reconhecer quem apresenta um maior risco de malnutrição e quais os sinais a que devemos estar atentos.
A malnutrição consiste na incapacidade de atingir as necessidades nutricionais diárias através da alimentação habitual, o que compromete o bom funcionamento do organismo. Esta é frequentemente subdiagnosticada na população idosa, dado que os seus sintomas e sinais podem ser atribuídos ao processo fisiológico do envelhecimento. Contudo, alterações no estado nutricional dos idosos constituem um fator determinante para o aumento da incapacidade funcional, da morbilidade e da mortalidade sendo, por isso, imprescindível uma avaliação nutricional capaz de detetar e monitorizar os riscos, visando uma intervenção precoce de forma a melhorar a qualidade de vida.
Existe uma série de fatores que levam a que os idosos apresentem maior risco nutricional devido ao processo de envelhecimento.
Entre os fatores clínicos mais comuns, destaca-se a diminuição do apetite e/ ou rejeição alimentar, dificuldades na mastigação e/ou deglutição, alterações no olfato e/ ou paladar, alterações na mobilidade, doenças neurológicas e a polimedicação. Acresce ainda que os idosos apresentam, com maior frequência, patologias crónicas ou episódios agudos que exigem internamento hospitalar, situações que podem comprometer ainda mais o estado nutricional.
Existem também os fatores socioeconómicos e relacionados com o estilo de vida, com um impacto relevante sobretudo em idosos que vivem sozinhos.
A identificação de um estado nutricional inadequado tende a ocorrer quando se observam alterações físicas visíveis, como peças de vestuário excessivamente largas.