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Memória em risco

Procure ajuda na altura certa, pode fazer toda a diferença.

mulher com ar pensativo, a tentar recordar, com memória em risco

Os esquecimentos não são todos iguais. É importante cada pessoa estar atenta aos sintomas que devem motivar uma consulta especializada, na certeza de que, em caso de doenças neurodegenerativas, o diagnóstico precoce é determinante para atrasar a sua progressão.

Onde termina o esquecimento normal e começa o verdadeiro sinal de alerta, que deve motivar a consulta com um profissional?

Em muitas situações, é difícil distingui-los. Ainda assim, podemos dizer que os esquecimentos normais têm a ver, por um lado, com aspetos de desatenção e dificuldade de concentração. Manifestam-se, com frequência, em casa, por exemplo quando as pessoas entram na cozinha e já não sabem o que iam lá fazer. Genericamente, este tipo de circunstâncias é benigno (mas nem sempre).

Por outro lado, também pode acontecer não nos lembrarmos do nome de um ator de cinema ou de uma personagem de ficção. Isso não é necessariamente preocupante, a não ser que os esquecimentos se tornem muito frequentes, com impacto no quotidiano, ou causem prejuízo ao próprio ou a terceiros, como, por exemplo, falhas na toma de medicação ou faltas a compromissos importantes. Estas situações já podem sinalizar a necessidade de apoio médico especializado.

Há quem adie a consulta por medo do diagnóstico. Para desmistificar este medo, o que acontece na primeira avaliação, na prática?

Quem sente que algo não está bem precisa, acima de tudo, de um diagnóstico correto e tão precoce quanto possível. Para enfrentar o medo, ajuda saber que, apesar de ainda não existir cura para um conjunto alargado de demências, há várias intervenções, farmacológicas e não só, que permitem reduzir significativamente o impacto no dia a dia.

Até que ponto o estilo de vida pode travar, ou atrasar, o declínio da memória?

Estima-se que 45% dos quadros de demência sejam evitáveis mediante a correção de alguns fatores de risco, nos quais se incluem alterações no estilo de vida. A adoção de hábitos saudáveis é uma recomendação baseada na melhor e mais recente evidência científica e pode reduzir, de forma muito significativa, a progressão da doença. Destacam-se a prática de exercício físico (algumas vezes por semana), a redução ou eliminação do consumo de tabaco e álcool, o convívio e atividades que estimulem o cérebro.

Perante um diagnóstico de demência, que ferramentas existem para dar qualidade de vida às pessoas com doença?

A primeira ação é identificar o tipo de demência, para determinar a intervenção mais indicada. Na doença de Alzheimer, por exemplo, existem exames e avaliações neuropsicológicas que permitem um diagnóstico mais detalhado e precoce. Felizmente, nos últimos tempos surgiram novos tratamentos farmacológicos para esta doença, que, não representando a cura, permitem diminuir o seu ritmo de progressão. A par disso, o controlo de fatores de risco modificáveis deve ser encarado como uma prioridade, já que ajuda a reduzir a evolução dos sinais de demência.

Qual o papel da família e dos cuidadores da pessoa diagnosticada com uma doença neurodegenerativa?

A família e os cuidadores são fundamentais para o bem-estar da pessoa que vive com este tipo de doença. Mais do que gerir as intervenções farmacológicas, estes agentes constituem um dos principais determinantes da qualidade de vida da pessoa afetada. Contudo, o seu papel fundamental pode levar a algum desgaste pessoal, pelo que devem ser feitos todos os esforços para que também estes tenham tempo para cuidar de si, de forma a manterem a força física e mental necessárias para garantir, com saúde, os cuidados às pessoas que apresentam quadros crónicos e progressivos.