Sabe como as alterações hormonais afetam a saúde musculoesquelética.
A menopausa, uma fase natural na vida de todas as mulheres, é marcada pela redução progressiva dos níveis de estrogénio. Esta hormona não atua apenas na regulação do ciclo menstrual. Tem também um papel relevante na saúde dos músculos, tendões, ossos e das articulações. É por isso que, entre as muitas manifestações da menopausa, se encontra o impacto na saúde musculoesquelética, particularmente ao nível do ombro. Apesar de menos falado do que os afrontamentos ou as alterações de humor, este fenómeno é real e cada vez mais estudado.
Nos últimos anos, a comunidade médica tem dado especial atenção a este tema, ao ponto de já existir uma designação: síndrome musculoesquelética da menopausa. As dores articulares, e certas lesões, tornam-se mais frequentes nesta etapa da vida porque a diminuição dos níveis de estrogénio favorece um estado de maior inflamação no corpo e compromete a qualidade dos tecidos. Os tendões perdem resistência e capacidade de regeneração, enquanto a massa muscular vai diminuindo de forma gradual. O resultado é um corpo mais suscetível a lesões, com dificuldade acrescida em recuperar, seja após um traumatismo ou uma cirurgia.
Há duas situações que se destacam pela frequência com que ocorrem. Uma é a capsulite adesiva, popularmente conhecida como “ombro congelado”. Este problema causa dor e a perda progressiva de mobilidade, que pode transformar tarefas simples, como vestir-se, pentear o cabelo e alcançar uma prateleira, em verdadeiros desafios do quotidiano. A segunda alteração mais comum em mulheres depois da menopausa é a tendinopatia da coifa dos rotadores, que afeta o grupo de tendões responsável pela estabilidade e pelo movimento do ombro. A degeneração destes tendões pode levar a tendinites, dor persistente e, nos casos mais graves, ruturas que comprometem a força e a funcionalidade do braço.
A boa notícia é que há formas de prevenir estas e outras alterações musculoesqueléticas do ombro. O exercício físico regular, sobretudo treino de força e treino de resistência, ajuda a preservar a massa muscular e a proteger as articulações. Seguir uma alimentação equilibrada, com doses adequadas de proteína, cálcio e vitamina D, é fundamental para sustentar a saúde dos músculos, tendões e ossos. Manter um peso saudável e controlar fatores metabólicos, como a diabetes, contribui igualmente para reduzir o risco de problemas no ombro.
Ainda assim, mesmo com todos os cuidados, a lesão pode surgir. Há sintomas que não devem ser desvalorizados, nem considerados próprios da idade. É o caso daquela dor no ombro que persiste durante semanas, da dificuldade em levantar ou rodar o braço, perda progressiva de mobilidade, dor que interrompe o sono, e diminuição notória da força do ombro. Se tiver algum destes sintomas, procure avaliação ortopédica.
Atualmente, existem várias opções de tratamento. Na maioria dos casos, começa-se pela fisioterapia, com exercícios de mobilidade e fortalecimento, controlo da dor e ajuste temporário das atividades diárias. Em certos casos, podem ser equacionadas infiltrações ou, perante roturas mais significativas dos tendões, a cirurgia.
Com diagnóstico atempado e estratégias adequadas de prevenção e reabilitação, é possível recuperar a função, controlar a dor e manter a qualidade de vida. Não ignore os sintomas, a dor no ombro não é um destino inevitável da menopausa.