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Nutrição e cancro

Alimentação saudável e nutrição adequada ajudam a prevenir o cancro e a melhorar o tratamento, reduzindo sintomas e promovendo qualidade de vida.

nutrição, prato em cima da mesa com salada, e comida nutritiva e saudável, tem fruta e tomates na mesa

Texto de Ana Filipa Pereira | Nutricionista

Saiba como a alimentação pode ser um aliado na prevenção e no tratamento.

Qual o papel da nutrição na prevenção do cancro?
A nutrição tem um papel fundamental na promoção da saúde e na prevenção de doenças crónicas, como o cancro. Estima-se que cerca de um terço dos casos possa estar associado à alimentação, ao excesso de peso e ao sedentarismo. 

A dieta mediterrânica destaca-se pelo seu efeito protetor, sendo caracterizada pelo consumo frequente de frutas, hortícolas, cereais integrais, leguminosas, frutos oleaginosos e azeite, bem como pela ingestão moderada de peixe, e reduzida de carnes vermelhas e processadas. Este padrão alimentar associa-se a uma redução do risco de diversos tipos de cancro, nomeadamente o colorretal, devido ao aporte de fibras, antioxidantes e gorduras saudáveis, que ajudam a reduzir o stresse oxidativo, a inflamação crónica e a resistência à insulina ― processos relacionados com o desenvolvimento tumoral.

A dieta mediterrânica tem um efeito protetor, estando associada à redução do risco de cancro

Qual o papel da nutrição durante o tratamento do cancro?
O cancro é uma doença com grande impacto no estado nutricional das pessoas. A malnutrição na pessoa com doença oncológica pode atingir prevalências que variam entre 20 e 70%, dependendo do tipo de tumor, da idade da pessoa e da fase da doença.

A malnutrição está associada a:

  • Perda de peso e/ou de massa muscular; 
  • Aumento do risco de toxicidade terapêutica, levando à diminuição da intensidade da dose e do tratamento; 
  • Diminuição da competência imunitária e aumento do risco de complicações infeciosas; 
  • Perda de qualidade de vida.

O acompanhamento nutricional tem como objetivo otimizar o estado nutricional e adaptar a ingestão alimentar aos sintomas e às alterações anatómicas ou funcionais provocadas pelo tumor ou pelos tratamentos, como cirurgia, radioterapia e/ou quimioterapia, proporcionando maior conforto e qualidade de vida.

Dicas para a gestão das complicações associadas ao tratamento do cancro

Anorexia:

  • Aumentar o número de refeições, de pequeno volume, ao longo do dia; 
  • Aumentar a densidade nutricional (energética e proteica) das refeições; 
  • Evitar a monotonia alimentar, dando preferência a pratos diversificados, coloridos e com diferentes texturas. 

Disgeusia (alteração do paladar):

  • Utilizar ervas aromáticas na confeção dos alimentos; 
  • Dar preferência a alimentos cítricos e frios
  • Evitar a utilização de talheres de metal, para minimizar o sabor metálico ― preferir talheres de plástico ou silicone.

Durante os tratamentos, a nutrição contribui para maior conforto e qualidade de vida

Náuseas e vómitos:

  • Aumentar o número de refeições de pequeno volume ao longo do dia;
  • Preferir alimentos de fácil digestão, mais secos, cítricos e salgados;
  • Preferir alimentos à temperatura ambiente, frios ou gelados;
  • Evitar alimentos com odores fortes, muita gordura, doces, cremosos ou em papa.

Xerostomia (boca seca):

  • Reforçar a hidratação ao longo do dia; 
  • Ingerir líquidos durante as refeições, para facilitar a mastigação e a deglutição;
  • Colocar gotas de limão/laranja nas bebidas em nos alimentos.

Diarreia:

  • Reforçar a hidratação; 
  • Recomendar uma dieta pobre em resíduos (pobre em fibras insolúveis e em lactose); 
  • Recomendar alimentos ricos em fibra solúvel  (maçã/pera cozinhada, banana madura, cenoura cozinhada).

Obstipação:

  • Reforçar a hidratação; 
  • Aumentar o consumo de alimentos ricos em fibra (cereais integrais, hortícolas, frutas, frutos secos e oleaginosos, sementes);
  • Estimular a prática de atividade física regular.

Assim, a nutrição deve ser entendida como parte integrante da prevenção e do tratamento oncológico, contribuindo não só para melhores resultados clínicos, mas também para a qualidade de vida das pessoas.