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O impacto da tiroide na saúde das mulheres

Está atenta aos principais sinais de alerta que podem indiciar disfunções.

mulher em casa com as mãos no pescoço ou na gargante, com alguma preocupação

Os distúrbios da tiroide afetam mais as mulheres do que os homens. Os dados mais recentes da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia (SPE) indicam que cerca de uma em cada dez mulheres portuguesas terá um problema de tiroide ao longo da vida.

Segundo as estatísticas, as mulheres têm entre cinco e oito vezes mais probabilidade de desenvolver problemas relacionados com esta glândula do que os homens. A  razão  para  esta desproporção não é clara, mas pode estar associada a fatores genéticos, hormonais e ambientais. É sabido que a vulnerabilidade das mulheres nas patologias associadas à tiroide acentua-se em fases críticas, como a puberdade, a gravidez e a menopausa.

A tiroide está localizada na base do pescoço e é como uma maestrina do organismo: dita o ritmo do metabolismo, a força do batimento cardíaco, a temperatura do corpo e, de forma crucial, a fertilidade e o equilíbrio das emoções.

Entre os vários distúrbios que podem afetar o seu funcionamento, o hipotiroidismo é a forma mais prevalente e surge quando a glândula produz hormonas em quantidade insuficiente, dando a sensação de que o corpo está a funcionar em “câmara lenta”. Nas mulheres acima dos 60 anos, a prevalência desta disfunção atinge os 17%, sendo muitas vezes confundida com o envelhecimento.

Já no hipertiroidismo, verifica-se um excesso de produção hormonal, que acelera o organismo. Em ambos os casos, a mulher vê o seu dia a dia comprometido, sem controlo sobre o seu próprio corpo.

Existem ainda os nódulos tiroideus, também mais frequentes nas mulheres. Embora sejam, na sua maioria, benignos, exigem uma vigilância atenta, para excluir um quadro de cancro da tiroide.

O grande desafio para a mulher consiste nos sintomas ‘camaleónicos’. No hipotiroidismo, a fadiga persistente, que o sono não atenua, o aumento de peso sem causa aparente, alterações de humor, queda de cabelo, pele seca e sensação de frio constante, são, frequentemente, confundidos com o cansaço do quotidiano ou o stresse. Do mesmo modo, no hipertiroidismo, ansiedade, palpitações e insónias podem ser erradamente atribuídas a estados emocionais instáveis.

Apesar dos sinais pouco específicos, o diagnóstico é simples: basta uma análise de sangue para identificar disfunções da tiroide. Se houver suspeita de nódulos, a ecografia é o exame indicado para despiste.

Quanto ao tratamento, no caso do hipotiroidismo a reposição hormonal revela-se uma solução eficaz que, quando bem ajustada, devolve a energia e o equilíbrio perdidos. Já perante um quadro de hipertiroidismo, o tratamento poderá passar por terapia com iodo radiativo, medicação, ou pela cirurgia. As opções disponíveis são tomadas tendo em conta a idade, doenças associadas e o eventual desejo de uma gravidez.

O apelo mais importante, sobretudo para as mulheres: não ignorar os sinais. Se sente que o seu corpo mudou, se a fadiga se tornou uma constante, ou se planeia engravidar, verifique a saúde da sua tiroide. O diagnóstico precoce é o cuidado mais poderoso para evitar complicações. Equilibrar a tiroide, afinal, recuperar o comando da sua vida.