É inquestionável a importância do sono para o nosso bem-estar físico e mental, influenciando o comportamento, a aprendizagem, a memória, a criatividade e até a...
É inquestionável a importância do sono para o nosso bem-estar físico e mental, influenciando o comportamento, a aprendizagem, a memória, a criatividade e até a regulação emocional.
O mesmo se aplica ao sono dos bebés!
A primeira coisa que deve ter em atenção é que, no que ao sono diz respeito, cada bebé é único, e idealizar um padrão demasiado rigoroso pode gerar ansiedade ao bebé e aos pais. É natural que os bebés não tenham um ciclo regular de sono até aos 6 meses de vida, e por isso os recém-nascidos dormem uma média de 16 a 18 horas por dia, geralmente distribuídas em curtos períodos de 1 a 2 horas de cada vez. Os múltiplos despertares são a forma de o bebé manifestar a sua necessidade de receber calor, alimento e segurança. Estes despertares surgem acompanhados de esgares faciais, vocalizações e choro, para chamar a atenção da mãe e do pai. São comportamentos inatos, assim como a resposta aos mesmos: atender (quase) imediatamente ao apelo do filho. Mesmo em estado de cansaço extremo, desencadeia-se uma resposta fisiológica que ajuda a regular as emoções e promove uma sensação de calma e bem-estar.
A partir dos três, quatro meses de idade, os bebés começam a estabelecer um ciclo dia-noite, passando mais tempo acordados de dia, e a ser influenciados pelo meio em redor. A partir dos quatro meses já é possível promover bons hábitos de sono. A maturação metabólica e do sistema nervoso que acontecem nesta fase permitem que o bebé já durma perto de 10 horas durante a noite. A evolução para os 6 meses determina uma divisão mais clara entre o dia e a noite, apesar de existirem ainda alguns despertares noturnos, com rápido retorno ao sono. A partir desta altura os bebés já dormem derca de 12 a 16 horas. No final do primeiro ano de vida, a maioria das crianças necessita de duas sestas durante o dia, e à noite um período mais longo de sono ininterrupto. Com esta idade, normalmente, já não têm necessidade de comer durante a noite, e são capazes de autorregular-se, de controlar as emoções e adormecer com alguma autonomia. Os despertares noturnos são frequentes, mas facilmente resolvidos, muitas vezes sem intervenção dos pais.
O momento de ir para a cama deve ser sempre igual e sensivelmente à mesma hora. Fazer deste um momento agradável, afetuoso, sem atividades muito estimulantes, vai criando a rotina da hora de dormir. Depois, num ambiente confortável, escuro e silencioso, deve colocar o bebé no berço, sonolento, mas ainda acordado, para que entre em sono profundo de forma autónoma, sem contacto físico com os pais. Quando adormece a mamar ou a segurar a mão da mãe, aprende que só assim está em segurança e, se acordar, necessita de replicar as mesmas condições para voltar a adormecer.
Alguns conselhos para ajudar o seu bebé a adormecer
Faça do final do dia um momento calmo, desligado de ecrãs e afazeres domésticos. Com tempo, sem pressas, sem surpresas, sem atropelos nem zangas. Lembre-se de criar e manter uma rotina que ajude o bebé a perceber que está na hora de dormir. Ensinar um bebé a dormir pode ser um desafio, mas acaba por se revelar essencial para o bem-estar e a saúde da criança, assim como da família.
Para ser saudável, tem de coexistir o sentimento de segurança e tranquilidade em relação ao meio, às pessoas e às circunstâncias.
Artigo pela Dra. Catarina Timóteo - Pediatra diferenciada em medicina do sono nos hospitais CUF Torres Vedras e CUF Descobertas