Saiba o que são as perturbações do comportamento alimentar (PCA), como a anorexia, bulimia e compulsão alimentar. Conheça os principais mitos, sinais de alerta e importância do diagnóstico precoce. Informação essencial para promover a saúde mental e combater o estigma.
Texto de Ana Filipa Pereira | Nutricionista
As perturbações do comportamento alimentar (PCA) representam um grupo heterogéneo de condições patológicas caracterizadas por alterações no padrão alimentar, nomeadamente na quantidade e natureza dos alimentos ingeridos.
Existem várias perturbações do comportamento alimentar, sendo as mais frequentes:
Numa altura em que a prevalência das PCA continua a aumentar, é fundamental desconstruir alguns mitos de forma a reduzir o estigma. 1.
1. São apenas uma fase? Falso
As PCA não são, de todo, uma fase. Sem tratamento adequado, podem tornar-se crónicas e até fatais. O apoio interdisciplinar (médico, nutricionista e psicólogo) é fundamental para a recuperação.
2. Afetam apenas raparigas? Falso
Embora se tenda a associar as PCA ao género feminino, estas também podem afetar rapazes e homens. Promover a consciencialização sobre as PCA junto do género masculino é fundamental para reduzir o estigma. Devemos ter
presente que as PCA podem afetar qualquer pessoa, independentemente de género, idade, orientação sexual e contexto socioeconómico.
3. As PCA têm consequências para a saúde e podem ser fatais? Verdadeiro
As PCA podem evoluir para quadros clínicos de elevada gravidade, com risco significativo de vida. As complicações mais severas incluem estados de desnutrição demarcados, bem como alterações metabólicas e hidroeletrolíticas, decorrentes de comportamentos compensatórios como a indução do vómito, o uso abusivo de laxantes ou diuréticos.
4. As famílias têm culpa? Falso
O ambiente familiar pode constituir um fator de vulnerabilidade, mas não deve ser entendido como uma causa direta ou exclusiva da perturbação. Embora algumas dinâmicas familiares possam estar associadas a um risco acrescido, não existe uma relação causal linear entre o funcionamento familiar e o desenvolvimento de PCA. Importa ainda salientar que estas perturbações se podem manifestar mesmo em contextos familiares considerados saudáveis e estruturados, e que a inclusão da família no processo terapêutico tem demonstrado benefícios significativos na adesão ao tratamento e na recuperação do indivíduo, sobretudo em populações adolescentes.
5. O diagnóstico tardio tem impacto no prognóstico? Verdadeiro
Frequentemente, as pessoas com estes distúrbios não reconhecem que têm um problema de saúde e recusam ajuda. As consequências são tanto mais graves quanto mais rápida ou prolongada é a evolução da doença. Assim, no caso de suspeita da presença de uma destas doenças, o doente deve ser referenciado a uma consulta de medicina geral e familiar ou a psiquiatria/pedopsiquiatria.