O que é e quando faz sentido.
O rejuvenescimento genital feminino tem vindo a ganhar destaque nos últimos anos, a par da crescente noção de que o bem-estar feminino é um pilar importante da saúde física, emocional e íntima. Integra três dimensões complementares – regenerativa, funcional e estética – recorre a tecnologias, como o laser CO₂ e a radiofrequência, e a terapias autólogas regenerativas, que utilizam componentes do organismo da própria pessoa, promovendo a síntese de colagénio, a formação de novos vasos sanguíneos, imunomodelação e a melhoria dos tecidos.
Estes procedimentos são recomendados sempre que a mulher manifeste expressamente essa vontade. O médico deve ter formação atualizada para aconselhar as opções terapêuticas mais adequadas a cada caso.
Os motivos mais frequentes são queixas urogenitais (secura e atrofia) na menopausa, pessoas com doença oncológica, incontinência urinária de esforço, tratamento da flacidez e hiper pigmentação vulvar, tratamento cirúrgico da hipertrofia dos pequenos lábios e tratamento do líquen escleroso vulvar.
Os estudos mais recentes e a experiência clínica em países onde estes procedimentos são feitos em maior escala (Brasil, Estados Unidos da América, entre outros) mostram um impacto significativo na saúde, no bem-estar, na autoestima da mulher e na sexualidade do casal, seja na funcionalidade ou no aspeto estético (a insegurança com o corpo é um entrave na forma de expressão da mulher). As utentes apresentam muitas vezes um historial de anos de incompreensão e tratamentos sem sucesso, com sintomas limitantes no seu dia a dia. A alteração desta realidade é o primeiro passo para mudanças verdadeiramente significativas.
Estes procedimentos são tendencialmente simples, com tempos de recuperação rápidos e sem grandes limitações. Contudo, não são isentos de riscos. Destaco os técnicos e/ ou cirúrgicos, os quais são raros, como hematomas, infeções, reações alérgicas, assimetria residual e alterações transitórias da sensibilidade. A experiência e o uso de tecnologias avançadas e materiais homologados reduz estes acontecimentos a uma percentagem mínima. O tempo de recuperação varia consoante o procedimento, mas na maioria dos casos o regresso à rotina é imediato.
No caso da realização de cirurgias, a recuperação varia entre uma a duas semanas, dependendo da complexidade.
O rejuvenescimento genital feminino tem-se assumido como uma vertente da ginecologia em amplo crescimento ao nível mundial, acompanhando a nova realidade da mulher contemporânea, que estabelece relacionamentos com parceiros mais jovens, apresenta maior exposição genital, está sujeita a influências culturais demarcadas e pretende valorizar a sua autoestima e saúde íntima.
Como ginecologista, posso afirmar que esta área veio complementar a minha intervenção e trazer meios de resolução para muitas patologias que permaneciam sem solução ou requeriam abordagens mais invasivas.
Mais do que uma tendência, dá resposta clínica às necessidades das mulheres ao longo das diferentes fases da vida.