Asperger – o que é?
A Síndrome de Asperger (SA) é uma perturbação do espetro do autismo, sendo umas das formas mais ligeiras desse grupo de perturbações. Em Portugal, estima-se que existam cerca de 40.000 pessoas com esta doença, que se caracteriza por uma alteração no desenvolvimento do cérebro que afeta o comportamento, a comunicação e as interações sociais.

 

Desconhece-se a sua causa exata, mas acredita-se que na sua base possam estar fatores genéticos e estímulos ambientais. É mais comum em indivíduos do sexo masculino e as suas primeiras manifestações são, frequentemente, observadas antes dos 3 anos, podendo incluir, ao longo das várias fases da vida, dificuldades:

  • No relacionamento social: dificuldade em iniciar ou manter uma conversa e indiferença perante tentativas de comunicação de terceiros;
  • Na comunicação verbal: dificuldade em compreender perguntas e indicações simples, dificuldade na construção de frases, discurso com tom ou ritmo anormal e repetição súbita e descontextualizada de palavras ou frases;
  • Na comunicação não-verbal: dificuldade em manter o contacto visual, ausência de expressão facial, linguagem corporal tensa e dificuldade em interpretar expressões faciais, posturas corporais e tons de voz;
  • Ao nível do pensamento abstrato: interpretação literal da linguagem, com dificuldade em compreender trocadilhos ou sarcasmo, por exemplo;
  • Em criar empatia: ausência de manifestação de emoções ou sentimentos;
  • Em tolerar estímulos sensoriais: hipersensibilidade ao toque, som e luz.

Em muitos casos, um doente com SA exibe comportamentos rotineiros ou repetitivos, mostrando-se pouco flexível a mudanças e apresentando interesses limitados e particulares em temas específicos, como estatísticas desportivas ou horários de transportes. Pode ainda desenvolver hábitos alimentares particulares (preferência marcada por alimentos específicos e recusa de outros).

Se desconfia que o seu filho pode ter SA, considere que:

  • Cada criança tem o seu próprio ritmo de desenvolvimento. Porém, dificuldades evidentes na linguagem e na interação social devem sempre ser consideradas e avaliadas por um profissional de saúde;
  • O diagnóstico da SA pode ser difícil e assenta, essencialmente, na avaliação clínica e psicológica do paciente;
  • Não existe prevenção nem cura para a SA, mas os doentes podem beneficiar de uma intervenção profissional orientada para a melhoria das competências sociais. A terapia da fala e a terapia ocupacional são algumas das opções a explorar. Informe-se com o seu médico sobre as mesmas;
  • O apoio e a compreensão dos familiares, bem como a sua integração nas consultas do doente, são fundamentais.