Crianças e idosos: Como é que a idade influencia a forma como os medicamentos atuam?
Desde que nascemos que o nosso organismo está em constante mudança o que pode ter impacto na ação dos medicamentos. Sabia que, quando tomamos um medicamento, são necessários vários processos até que este atue?

 

Assim, e para que tenham o efeito desejado, os medicamentos são:

– absorvidos (normalmente no estômago e intestino);

– distribuídos para os vários locais do corpo onde vão exercer a sua ação;

– metabolizados (através de alterações químicas que permitem que os medicamentos se tornem ativos, ou que sejam eliminados depois de atuar);

– eliminados do corpo (normalmente pelos rins, através da urina).

Estes processos podem sofrer algumas alterações de acordo com a fase de desenvolvimento em que se encontra quem toma o medicamento. Isto porque, enquanto nas crianças o corpo está em crescimento e constante desenvolvimento, nos idosos a tendência é para que haja um declínio progressivo dos processos do corpo.

O organismo de uma criança apresenta diferenças significativas quando comparado com o de um adulto, em especial na dimensão e composição. Estas alterações vão ter impacto na maneira como os medicamentos atuam.

 

No caso das crianças:

– o corpo é constituído por mais água e menos gordura do que o de um adulto. Como os medicamentos se distribuem no organismo consoante tenham mais afinidade para a água ou para a gordura, a sua distribuição será forçosamente diferente nas crianças;

– as crianças têm a pele mais fina, o que leva a que a absorção de medicamentos que se aplicam na pele (como os cremes e geles, por exemplo) seja maior;

 

No caso dos idosos:

– devido a alterações no sistema digestivo, a velocidade com que os medicamentos administrados por via oral (como as cápsulas e os comprimidos) são absorvidos (ou seja, o quão rápido chegam ao sangue) pode ser alterada;

– com o avançar da idade o sistema circulatório perde capacidades, o que pode influenciar o tempo que o medicamento demora a chegar ao fígado (para ser metabolizado) e aos rins (para ser eliminado);

– o fígado e os rins podem funcionar mais lentamente, o que afeta a forma como o medicamento é metabolizado e eliminado.

Acresce o facto de, à medida que as pessoas envelhecem, poderem surgir algumas doenças (como, por exemplo, a hipertensão e a diabetes) que requerem medicação diária, o que leva à toma de vários medicamentos em simultâneo (polimedicação). Este facto, embora não exclusivo do envelhecimento, pode levar à ocorrência de interações entre os vários medicamentos, o que poderá traduzir-se em alterações na ação dos medicamentos.

Assim, o facto de existirem diferenças entre o organismo das diferentes pessoas leva a que exista a necessidade de existirem medicamentos com doses e formas de apresentação diferentes, adequadas à idade e fase de desenvolvimento de cada um, mais um motivo pelo qual é importante que, antes de tomar qualquer medicamento se aconselhe sempre com o seu médico ou farmacêutico.