Desportos na neve: a salvo do frio e das lesões
O inverno suscita sentimentos muito distintos entre as pessoas. Numas desencadeia uma espécie de espírito de hibernação, que as faz cair na tentação de permanecer no aconchego de um cobertor e de uma chávena de chá bem quente. Noutras estimula o desejo de uma escapadela para onde quer que haja neve suficiente para deslizar. E a verdade é que os desportos de inverno atraem cada vez mais portugueses.

 

É bom que assim seja: porque qualquer um deles – do esqui ao snowboard, passando pela patinagem no gelo – é sinónimo de exercício físico, fundamental numa altura do ano que convida ao sedentarismo. Contudo, lançar-se na aventura de um desporto de inverno sem estar em forma é um erro que pode resultar em lesões várias. O ideal é que a atividade física seja um compromisso de todo o ano, garantindo a flexibilidade e resistência necessárias para descer uma pista…

Além disso, enfrentar as baixas temperaturas propícias a um destes desportos implica alguns cuidados na proteção do corpo. O primeiro deles prende-se com o vestuário: para resistir ao frio, há que vestir roupa suplementar, tendo o cuidado de escolher peças que se possam sobrepor com conforto, mas que também se possam ir retirando à medida que a temperatura do corpo sobe. Assim, evita-se a transpiração em excesso que, além de desagradável, pode abrir caminho a uma constipação.

A salvo do frio devem ficar a cabeça e as orelhas. É que é pela cabeça que se perde a maior parte do calor corporal, pelo que é necessário protegê-la com um gorro, mas este deve ser suficientemente amplo para encobrir as orelhas, prevenindo assim as frieiras e queimaduras de gelo. A cabeça é ainda vulnerável a lesões, pelo que deve ser usado capacete sempre que se pratique estes tipos de desportos.

Em risco estão igualmente as mãos, também vítimas fáceis de frieiras e queimaduras, o que torna as luvas indispensáveis. Já os pés devem estar bem calçados para enfrentar o frio, a neve ou o gelo: com calçado adequado, isolante e com reforço na região dos tornozelos, para prevenir lesões.

E porque o sol de inverno é enganador, refletindo-se na neve e no gelo e causando danos na pele como se fosse verão, o protetor solar deve estar sempre presente, devendo ser aplicado generosamente nas partes do corpo expostas. Pela mesma razão, é essencial o uso de óculos de sol.

São cuidados básicos, mas importantes para a prática segura dos desportos de inverno. Porque à espreita estão riscos vários:

  • Frieiras – reação anormal da pele ao frio que faz com que as extremidades fiquem inchadas e vermelhas, causando dor e ardor;
  • Queimaduras de gelo – deixam as mesmas regiões do corpo sem cor e sensibilidade;
  • Hipotermia – situação em que o corpo perde calor em demasia, ao ponto de poder afetar o discernimento.

Os músculos e ossos encontram-se também vulneráveis: o esforço excessivo ou abrupto pode causar distensões musculares, entorses e fraturas, mais frequentes no final do dia, em consequência do cansaço acumulado.

São riscos que se previnem. Na certeza de que os desportos de inverno são benéficos para o corpo e para o espírito: contribuem para a boa forma física e para controlar o peso, fomentam o convívio e ajudam a dissipar o stress.