Envelhecer com saúde – as questões essenciais
Envelhecer com qualidade depende, em parte, do controlo dos fatores de risco para a saúde.

 

Cabe a cada um, vigiar a sua própria saúde, ainda que o tipo e a periodicidade desses exames variem consoante as características de cada indivíduo. Porém, à medida que a idade avança, e em nome da qualidade de vida, a vigilância deve ser mais frequente e variada.

É certo que a regularidade dos exames depende do estado de saúde de cada um, mesmo quando já entrou na sexta década de vida, mas, partindo do pressuposto de que não existem doenças crónicas que impliquem um acompanhamento específico, é recomendada uma vigilância extra quando comparada com décadas anteriores.

Mas afinal porque devemos fazer exames de rotina?

São realizados para que o médico possa avaliar os fatores de risco e as doenças existentes, rastreio gerais e diagnósticos mais particulares. Numa faixa etária mais avançada, dá-se maior atenção a problemas específicos relacionados com o envelhecimento – diminuição das capacidades sensoriais, alterações cognitivas, estado nutricional e eventuais consequências da toma simultânea de vários medicamentos diferentes.

Rastrear doenças associadas ao envelhecimento não é o mesmo que fazer exames de rotina indiscriminadamente. Mas há, de facto, situações em que comprovadamente o rastreio é a solução mais eficaz, entre elas o cancro da mama e da próstata, a hipertensão arterial, o colesterol elevado..

As capacidades visuais e auditivas têm uma relação direta com a idade e com a qualidade de vida, diminuindo à medida que os anos passam, pelo que a sua avaliação periódica é imprescindível.
Se é necessário um esforço extra para ouvir uma conversa ou se é preciso elevar o som da televisão ao ponto de terceiros se queixarem de que está demasiado alto, talvez a  capacidade auditiva esteja a deteriorar-se.

Com a visão ocorre um processo semelhante, embora existam patologias do olho inerentes à idade. O glaucoma é um dos mais comuns, associado, muitas vezes, a diabetes não controlada. Dificuldade em ver ou mesmo perda de visão podem ser consequências, desta patologia, que é tratável, com recurso a medicamentos ou a cirurgia.

É também fundamental controlar a pressão arterial. Quando se encontra elevada constitui um fator de risco para doenças cardiovasculares, insuficiência renal e acidente vascular-cerebral. Sabendo que a pressão arterial sofre uma subida progressiva com a idade, é essencial controlar os seus níveis, medindo-a regularmente, em casa ou na farmácia e, se necessário, recorrer a medicação específica, prescrita pelo médico. E aqui é fundamental, não falhar qualquer toma, sob pena de haver uma regressão que pode ser perigosa.

Níveis que também é importante controlar são também os do colesterol, igualmente um fator de risco das doenças cardiovasculares, quando os seus valores estão acima do normal.

A obesidade é outro fator que pode, por vezes, ser problemático. Perder peso, fazer uma alimentação equilibrada e praticar exercício físico é a “receita” para controlar muitos dos fatores de risco de doenças cardiovasculares e metabólicas.

Associada também, muitas vezes, a hábitos alimentares e estilos de vida desadequados, está a diabetes tipo 2. Os exames periódicos também permitem despistar e/ou vigiaresta doença. Passam pela determinação dos níveis de açúcar no sangue (glicemia), na medida em que, se estiverem elevados, o excesso, pode ser indicativo da existência de diabetes, ou do controlo inadequado da mesma. tem implicações a nível cardiovascular..

Finalmente, o cancro. Este é um dos problemas de saúde com maior prevalência na terceira idade. À medida que se envelhece aumentam as probabilidades de se desenvolver um tumor, sendo que nas mulheres o tipo de cancro, rastreável, mais preocupante é o da mama e nos homens, o da próstata. No que toca às mulheres, em particular acima dos 50 anos, a mamografia constitui um meio de diagnóstico bastante eficaz, pelo que se aconselha a sua realização periódica. Já nos homens, o mais frequente depois dos 50 é o cancro da próstata, cujo despiste se faz através do chamado toque rectal e de um teste sanguíneo que visa detetar um antigénio específico.

Outros cancros como o do cólon e o do pulmão, são também preocupantes e associados ao estilo de vida, no entanto não é feito um rastreio sistemático. A existência de antecedentes familiares deve suscitar uma atenção reforçada, importando comunicar a sua existência ao médico.

Ainda em relação ao cancro do cólon, o envelhecimento aumenta as probabilidades de contrair a doença, tanto para homens como para as mulheres. Daí que o rastreio seja, em indivíduos com risco médio, aconselhado a partir dos 50 anos, consistindo numa análise das fezes (para pesquisa de sangue oculto) e numa colonoscopia.

Nas consultas regulares deve haver abertura para abordar todos os aspetos que possam interferir na saúde do idoso, sendo uma oportunidade para esclarecimento de dúvidas, e colocando a saúde em primeiro plano.