Gripe e constipação – Incómodos que vêm com o frio
A constipação é a infeção viral mais comum, com os sintomas a surgirem dois a três dias após o contacto com o vírus: nariz congestionado ou a pingar, garganta irritada ou dorida, diminuição do paladar e do olfato, espirros, olhos lacrimejantes, fadiga e dores de cabeça e de corpo (ligeiras a moderadas), febre baixa.

 

Alguns podem confundir-se com os de uma gripe, mas há diferenças importantes: causada pelo vírus influenza, a gripe surge de forma súbita e com febre elevada, prostração e dores musculares intensas e, em alguns casos, olhos inflamados; com os sinais respiratórios a declararem-se mais tarde.

Qualquer pessoa se pode constipar ou ter uma gripe, mas há organismos mais suscetíveis: os dos idosos e das crianças, cujos sistemas imunitários são mais frágeis e que, com frequência, partilham espaços confinados.

É que o contágio é fácil: basta que as mãos toquem em objetos contaminados e depois na boca, no nariz ou nos olhos. Daí que por elas passe também a prevenção: há que usar lenços descartáveis para assoar o nariz; cobrir o nariz e a boca ao espirrar ou tossir e lavar as mãos depois; não partilhar toalhas nem recipientes para beber; evitar o contacto prolongado com pessoas constipadas e, se estiver doente, evitar estar perto de pessoas saudáveis. Mas quando já não é possível evitá-la, há que tratar os sintomas: ingerir líquidos em abundância, para prevenir a desidratação; gargarejar com água salgada para suavizar a garganta; usar um spray de água do mar para desentupir o nariz; repousar. E, se necessário, tomar medicamentos para a dor e a febre, não esquecendo, no entanto, que há certos cuidados a ter e que em caso de dúvida deve recorrer ao aconselhamento farmacêutico (por exemplo, se o doente for uma criança, não pode tomar ácido acetilsalicílico – Aspirina).

Um sintoma comum da constipação é a congestão nasal: o nariz fica cheio de secreções espessas, a respiração faz-se sobretudo pela boca, surgem dores de cabeça e até por vezes uma sensação de rosto inchado.

Comer, falar e respirar torna-se difícil. Há, então, que desentupir o nariz: assoando-o regularmente, aumentando a ingestão de líquidos e inalando vapor de água (por 10 minutos). As soluções salinas também ajudam, podendo nos bebés ser utilizado um aspirador nasal.

Se o incómodo for grande, pode justificar-se o uso de descongestionantes nasais, que facilitam a passagem de ar, reduzindo o edema das paredes das fossas nasais. Em spray ou gotas, a sua eficácia depende do uso correto – nunca ultrapassar a dose recomendada nem o tempo de tratamento (três dias), salvo se recomendado pelo médico. É que o abuso pode gerar habituação, pelo que deixam de fazer efeito e podem até potenciar uma rinite medicamentosa (quando o nariz entope só pela falta do descongestionante). Além disso, podem interferir com a pressão arterial, o ritmo cardíaco e o sono. Não devem ser usados por doentes cardíacos, hipertensos ou com glaucoma.

Moderação é também a palavra-chave no uso dos medicamentos para a tosse. Esta expulsão súbita de ar é um mecanismo de defesa natural, pois arrasta secreções e partículas que agridem as vias respiratórias e os pulmões. Mas é também uma das principais fontes de contágio de gripes e constipações devido às partículas de saliva que “viajam” pelo ar.

Com ou sem expetoração, a tosse pode ser muito incómoda. Mas é possível atenuá-la: a água hidrata o organismo, as infusões (chá com mel, por exemplo) lubrificam as vias respiratórias e os rebuçados suavizam a garganta. Um vaporizador ajuda a amolecer as secreções. E de noite é útil elevar a cabeceira da cama.

A tosse deve seguir o seu curso, mas pode ser necessário recorrer a medicamentos: os expetorantes e mucolíticos (tornam as secreções mais fluidas), os broncodilatadores (para os casos de contração do músculo liso bronquiolar), os anti-histamínicos (para a tosse alérgica) e os antitússicos (suprimem a tosse, devendo ser o último recurso, pois se houver secreções ao inibir o reflexo da tosse estas acumulam-se pois não conseguem ser expelidas).

Em qualquer caso, o melhor é dirigir-se à sua farmácia e usufruir do aconselhamento que o farmacêutico tem para lhe dar. Não partilhe medicamentos nem siga o aconselhamento de terceiros: cada caso é um caso e os tratamentos diferem. Confie no seu farmacêutico!