Quando a nossa flora interior se desequilibra: sinais e sintomas
A diarreia é uma das perturbações de saúde mais frequentes dos viajantes. É um fenómeno comum, mas muito incómodo.

 

A água, os sais minerais e os nutrientes dos alimentos são absorvidos ao passar pelo intestino. Tudo aquilo que não é absorvido é excretado sob a forma de fezes. Neste processo participam bactérias benéficas que vivem no intestino – flora intestinal – e que mantêm um equilíbrio, protegendo-o de infeções.

Quando este equilíbrio é alterado as fezes ficam mais líquidas, apresentam um volume superior ao normal e há um aumento dos movimentos intestinais – Diarreia!

 

CAUSAS

São múltiplas as causas da diarreia. As mais frequentes são:

VÍRUS – responsáveis pela gastrenterite infantil, propagam-se facilmente através do contacto direto entre as crianças;

BACTÉRIAS E PARASITAS – transmitidos através de alimentos ou água contaminados;

ALIMENTOS – todos os que causam intolerância ou alergia (glúten, laticínios, etc.);

MEDICAMENTOS – antibióticos e anti-inflamatórios, mas também o abuso de laxantes e alguns antiácidos.

 

CONSEQUÊNCIAS

Embora comum, a diarreia deixa o organismo debilitado, devido à perda de água e sais minerais – desidratação. As crianças (sobretudo com menos de três anos), os idosos, as grávidas e os doentes crónicos são mais sensíveis às consequências da desidratação.

 

SINAIS E SINTOMAS

A diarreia pode ser acompanhada de mal-estar e dores abdominais, gases, náuseas, vómitos e febre. Atendendo à duração e intensidade dos sintomas pode ser:

AGUDA – surge subitamente mas é temporária.

CRÓNICA – persiste para além de duas semanas, podendo ser sintoma de outras doenças intestinais, pelo que obriga a consulta médica.

Há sinais que indicam uma maior gravidade: febre superior a 38ºC, sintomas persistentes apesar do tratamento, fezes escuras ou com sangue, perda de peso (superior a 5%) ou desidratação acentuada, e que implicam uma consulta médica.

Aconselhe-se com o seu farmacêutico: este pode informá-lo sobre as causas, consequências, sinais, tratamento e cuidados a ter para minimizar o risco de contaminação.

Se apresenta diarreia há mais de duas semanas, não se esqueça: consulte o seu médico.

 

Diarreia – Minimizar o risco de desidratação

Quando ocorre diarreia é sinal que a absorção está comprometida, e, consequentemente, o organismo vai perdendo água e sais minerais. Importa, pois, prevenir a desidratação, o que se consegue recorrendo a cuidados alimentares e a medicamentos:

-Beba líquidos, não gaseificados, em abundância, pois os vómitos, as fezes líquidas e a febre gastam as reservas de água e sais minerais do organismo;

-Faça uma alimentação rica em hidratos de carbono (pão, massas, arroz e batatas), pobre em fibras e em gorduras (porque estimulamos movimentos intestinais) e evite o álcool, café e condimentos;

-Reforce a hidratação com medicamentos disponíveis nas farmácias. Peça aconselhamento ao seu farmacêutico.

Lembre-se que no Verão, a incidência aumenta!

Estas medidas podem ser complementadas com medicamentos reguladores da flora intestinal ou para a febre, se necessário. Os antidiarreicos devem ser usados em situações específicas e os antibióticos apenas mediante receita médica.