Queimaduras domésticas nas crianças                          
A queimadura é um dos acidentes domésticos mais comuns, sendo especialmente preocupante no caso das crianças. Torna-se, assim, necessário saber como evitar este tipo de lesões e como atuar em caso de acidente.

 

Por vezes, basta uma cafeteira deixada ao lume enquanto se vai rapidamente atender o telefone para que o acidente possa acontecer. Talvez o acidente pudesse ter sido evitado, mas já é tarde. Nesta altura, o mais importante é saber como agir. Todos os anos são registados inúmeros acidentes por queimadura doméstica que requerem hospitalização. E o pior de tudo é que uma grande parte passa-se com crianças. É caso para perguntar: por que razão tantas crianças são vitimadas por este tipo de lesões?

Uma primeira resposta parece passar pela falta de prevenção, associada à prática de comportamentos de risco. Na verdade, muitos destes acidentes poderiam ser evitados. Mas, dada a sua gravidade, quando não se puder prevenir, é essencial saber remediar.

 

Quando já não se pode evitar

Para que os primeiros socorros possam ser imediatamente ministrados torna-se necessário saber identificar a origem da queimadura. Seja qual for a origem, é crucial saber reagir com eficácia e sem demoras. Na realidade, não é só o fogo que queima. As queimaduras podem igualmente ser causadas pelo manuseamento indevido de compostos químicos ou pelo contacto com artefactos elétricos.

As queimaduras químicas podem ser motivadas pela ingestão ou pelo contacto com substâncias químicas. Relativamente ao primeiro temos, por exemplo, as lixívias e outros produtos destinados à limpeza doméstica. Neste caso, deve-se pedir imediatamente orientação para o Centro de Informação Antivenenos (deve-se ter o número de telefone fixado numa parede da casa ou no frigorífico, por exemplo). É uma situação que não permite qualquer demora. Não se deve dar de beber à vítima pois pode favorecer a absorção de alguns venenos, nem provocar o vómito se a vítima ingeriu um caústico, um detergente ou um solvente.O procedimento imediato mais adequado consiste em ir imediatamente para a urgência de um hospital, fazendo-se acompanhar do produto causador da queimadura.

Quando se trata de uma queimadura provocada pelo contacto com um agente químico, a sua identificação pode geralmente ser feita através de pele escurecida, com irritação, vermelhidão e/ou bolhas na zona afetada, acompanhadas de dormência ou dor. Nesta situação deve-se começar por remover as roupas e acessórios da criança, caso não se encontre colada à lesão, e lavar com água corrente a zona afetada. Esta operação deverá prolongar-se durante dez a vinte minutos. Logo em seguida deve cobrir-se a área da lesão com um pano limpo e que não se cole à pele ou com compressas estéreis.

No caso de uma queimadura elétrica, deverá começar por certificar-se de que a corrente elétrica é desligada. Se não for possível, deve-se interromper o contacto da vítima com a corrente elétrica, utilizando um material não condutor seco, como um pedaço de pau, corda, borracha ou um pano grosso (nunca, mas nunca, um objeto metálico ou húmido). É importante localizar as partes do corpo comprometidas, não esquecendo que todas as queimaduras elétricas apresentam um local de entrada e um de saída. Depois, deverá arrefecer-se a queimadura apenas com água fria corrente ou panos molhados elevar a criança sem demoras a um serviço médico de urgência.

Em qualquer um dos casos, o último passo consiste em, sem demoras, recorrer a auxílio médico. Para não piorar a situação, tenha presente que deve agir com lucidez. As dúvidas deverão ser colocadas ao médico, não sendo necessário telefonar a nenhum familiar ou amigo. A decisão mais importante é deslocar-se a um serviço hospitalar, onde poderá encontrar a assistência e os conselhos necessários.

O traumatismo provocado por uma queimadura pode não ser apenas físico nem terminar no momento em que se conclui o tratamento clínico. Muitas destas ocorrências provocam lesões graves, por vezes irreversíveis, mesmo quando a criança é submetida a intervenções plásticas ao longo dos anos. Na verdade, um dos grandes problemas das crianças queimadas passa pela sua recuperação psicológica. O facto é que, nesse caso, a criança terá de passar a viver com o trauma causado por um rosto ou outra parte do seu corpo desfigurada por uma cicatriz.