Asma – Quando falta o ar
Vulgarmente conhecida como "falta de ar", a asma é uma doença que afeta mais de 10% dos portugueses, sendo muito comum nas crianças.

A asma é uma doença inflamatória crónica das vias aéreas que, em certos indivíduos origina episódios recorrentes de pieira, dispneia (dificuldade na respiração), aperto torácico e tosse, mais intensa à noite e ao acordar.

Estes sintomas estão geralmente associados a uma obstrução generalizada das vias aéreas, a qual é reversível espontaneamente ou através de tratamento específico.

A asma pode afetar qualquer pessoa, mas manifesta-se com maior frequência nas crianças e jovens. Os sintomas podem ser desencadeados ou agravados por circunstâncias do dia a dia ou agentes ambientais perfeitamente inofensivos para a maioria das pessoas, mas que sensibilizam o organismo de um doente com asma. É o caso dos chamados alergénios, substâncias que estão na origem de reações alérgicas – o pólen das flores, árvores e arbustos, os ácaros do pó doméstico, o pelo de animais, alguns alimentos e certos medicamentos.

A estes fatores juntam-se outros como o exercício físico, o frio e as mudanças bruscas de temperatura, o fumo (principalmente do tabaco e da lenha a queimar), a poluição (exterior e interior), as infeções respiratórias virais (como a gripe) e em algumas pessoas até as emoções fortes (quando dão origem a riso ou choro).

Qualquer um destes elementos pode ser o gatilho que faz desencadear uma crise de asma, onde a dificuldade em respirar é o denominador comum. Normalmente, as crises declaram-se de uma forma lenta e progressiva, dando tempo para agir, mas algumas podem pôr a vida em risco se não for realizada uma intervenção rápida.

A própria intensidade dos sintomas varia de doente para doente e até em cada doente, consoanate a situação já que podem manifestar-se com frequência ou desaparecer durante dias ou semanas. Esta irregularidade também caracteriza as crises de asma, que se classificam precisamente de acordo com a frequência e intensidade da sintomatologia, bem como a necessidade de utilizar, ou não, medicamentos. Assim, consideram-se quatro graus da asma:

  1. Asma intermitente: os sintomas surgem menos de uma vez por semana ou o doente acorda com os sintomas duas ou menos vezes por mês.
  2. O segundo grau corresponde à Asma persistente ligeira: os sintomas surgem uma ou mais vezes por semana mas menos de uma vez por dia, ou quando o doente acorda com os sintomas mais de duas vezes por mês.
  3. No terceiro grau, definido como Asma persistente moderada: os sintomas são diários, acordando o doente mais de uma vez por semana, com crises que afetam a sua atividade diária e requerem tratamento com recurso a medicamentos.
  4. O último grau é o da Asma persistente grave: os sintomas são permanentes, acordando frequentemente o doente durante a noite e limitando a sua atividade diária. Naturalmente requerem uma intervenção.

É a partir da presença dos sintomas que se avança para o diagnóstico, que envolve exames específicos para determinar sinais de obstrução dos brônquios e uma avaliação da função respiratória, para comprovar essa obstrução e a limitação do fluxo de ar.

O diagnóstico permite enquadrar a sintomatologia num dos estágios definidos e, em função disso, conceber uma estratégia terapêutica adequada.