Diabetes tipo 1: Cuidados a ter com a insulina.
É de conhecimento geral que um diabético tipo I necessita de insulina para controlar a doença. No entanto, será que conhece todos os cuidados a ter?

 

A diabetes tipo 1 é menos frequente que a diabetes tipo 2, manifestando-se normalmente em crianças e jovens, quase sempre antes dos 30 anos. É devida a uma combinação de fatores genéticos e ambientais e mecanismos autoimunes (as células do pâncreas responsáveis pela produção de insulina vão sendo destruídas, pelo sistema imunitário, produzindo, assim, pouca ou nenhuma insulina). Não está relacionada com maus hábitos alimentares e não há forma de prevenção.

Embora não tenha cura, a diabetes requer tratamento farmacológico, de forma a controlar a glicemia e assim evitar complicações futuras. É importante compreender que a terapêutica não dispensa a adoção de um estilo de vida saudável, principalmente no que diz respeito à alimentação e à prática de exercício físico.

No caso da diabetes tipo 1, a terapêutica baseia-se na administração injetável de insulina, uma vez que o organismo não a produz, ou produz, ainda numa fase inicial da doença, em quantidade insuficiente.

A insulina pode ser de ação curta, longa/prolongada ou intermédia, de acordo com a duração em que esta se encontra ativa no organismo. A seleção do tipo de insulina é feita pelo médico, consoante as características físicas, hábitos alimentares e rotina de cada doente. A insulina de acção prolongada assegura o nível de insulina segregado em condições normais pelo pâncreas, , sendo, por norma, apenas feita uma administração por dia. Já a insulina de ação curta administra-se antes das refeições, de acordo com a quantidade  de hidratos de carbono a ingerir, ou numa situação pontual, para corrigir a hiperglicemia. A injeção de insulina é diária e administrada pelo próprio diabético ou pelo cuidador, segundo a orientação do médico (modo de injetar, local e doses).

É importante conhecer alguns aspetos para que a administração seja feita de forma correta e eficaz. Por exemplo, o tempo de absorção a absorção da insulina difere com o local onde é injetada: no abdómen a absorção é mais rápida-nas nádegas, a absorção é um pouco mais demorada, mas os braços e as coxas são os locais onde a absorção da insulina é mais lenta (sendo ideais para administrações antes de ir dormir). Os locais de injeção devem ser rotativos dentro das áreas, com pelo menos 3 cm de distância relativamente à picada anterior, de modo a evitar a formação de nódulos (lipodistrofias) que poderão interferir na absorção da insulina. Existem também outros fatores que influenciam a sua absorção, podendo levar a hiperglicemia (1.) ou hipoglicemia (2.):

1. Fatores que diminuem a absorção

• Frio;

• Desidratação;

• Espessura da camada de gordura subcutânea;

• Aumento da dose de insulina.

 

2. Fatores que aumentam a absorção

• Aplicação de calor no local da injeção;

• Massagem no local da injeção;

• Exercício físico.

 

Existem alguns cuidados a ter com a insulina, especialmente no que diz respeito ao manuseamento da agulha e a conservação:

  • é importante lavar cuidadosamente as mãos antes de cada administração;
  • a insulina deve ser administrada à temperatura ambiente, podendo ser aquecida entre as mãos, caso tenha saído diretamente do frigorífico;
  • se a insulina apresentar um aspeto leitoso deve ser homogeneizada com movimentos suaves;
  • a administração deve ser feita criando uma “prega” na pele com o polegar e o indicador, sem apertar, para garantir que é feita na camada subcutânea. A introdução da agulha na pele, deve ser feita com um movimento firme e com um ângulo de 90º, relaxando os músculos;
  • não massajar após administração e, se a administração for dolorosa, houver sangramento ou saída de liquido claro, pressionar 5-8 segundos;
  • A agulha deve ser rejeitada após cada administração, colocando-se a nova agulha imediatamente antes da administração seguinte. Atualmente as agulhas são mais finas e delicadas para maior conforto de utilização, o que as torna, igualmente mais facilmente danificáveis. Deste modo é possível que, após uma única utilização, a ponta da agulha esteja já danificada podendo, por isso, agredir mais a pele e causar dor durante a injeção. Além disso, uma agulha já utilizada deixa de ser estéril e pode conter eventuais resíduos de insulina no interior que podem cristalizar, obstruindo a passagem para as próximas injeções. Por todas estas razões é importante utilizar uma agulha nova para cada injeção, colocando a antiga num recipiente de plástico duro de tampa com rosca, após cada administração. Aconselhe-se junto de um profissional de saúde;
  • Antes de rejeitar a agulha, o doente deve sempre verificar a existência de uma agulha substituta para a próxima toma;
  • Não esquecer de registar, diariamente, os valores de glicose no sangue e as doses de insulina administradas. Sempre que se registem valores fora do normal, quem tem diabetes deve falar com o seu farmacêutico. Este irá avaliar a situação e, se necessário, reencaminhá-lo para o médico;
  • A insulina de reserva (tanto as canetas como os cartuchos), deve ser guardada no frigorífico (intervalo de temperatura de 4 a 8ºC) nas prateleiras superiores, numa caixa de plástico, junto à parede posterior. Nunca deve ser armazenada na porta do frigorífico, porque existe uma maior variação na temperatura de armazenamento ou no congelador, pois a proteína desnatura. A insulina em utilização deve ser conservada, até um máximo de 28 dias, à temperatura ambiente (temperatura inferior a 25ºC).
  • Em viagem, deve ser guardada num saco térmico de forma a garantir a conservação a uma temperatura adequada. Caso o doente com diabetes viaje para um local de fuso horário diferente deve aconselhar-se com o seu médico para garantir que não é necessário nenhum ajuste na posologia.

 

Ao ter estes cuidados, está a contribuir para uma terapêutica eficaz e, consequentemente, para o controlo da doença. Assim, é importante que, em caso de dúvida, não hesite em contactar o seu médico ou farmacêutico.