DPOC – Tabaco, o culpado n.º 1
A característica principal da Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) é uma agressão das vias respiratórias, com a culpa a poder ser imputada na grande maioria das vezes ao tabaco, mesmo que de forma passiva.

 

O tabagismo é, de facto, o fator de risco predominante, embora apenas uma parte dos fumadores desenvolva a doença até atingir  um grau suficientemente grave para causar sintomas. Estima-se que 20 a 50% dos fumadores têm ou podem vir a ter DPOC, sendo que o risco aumenta com o número de anos de tabagismo e o número de cigarros diários.

O fumo do tabaco não é, contudo, o único fator de risco. A poluição, atmosférica ou ocupacional, assume também proporções crescentes: a exposição a partículas poluentes e gases tóxicos desencadeia uma contração excessiva dos músculos que rodeiam os brônquios e uma reação inflamatória que afeta os pulmões e as trocas gasosas. Influência tem igualmente a hereditariedade, por via de uma deficiência na enzima alfa1-antitripsina (AAT): sem esta enzima, os pulmões vão perdendo elasticidade, o que, com o tempo, conduz à obstrução do fluxo de ar. Estima-se que 5% dos casos de DPOC seja devido à deficiência desta enzima.

Dado que os sintomas se instalam discretamente, é muitas vezes quando a doença já está avançada que se faz o diagnóstico. Até então as queixas respiratórias são aceites como normais, próprias do hábito de fumar ou então consideradas o reflexo do avançar dos anos:

1) Primeiro surge a tosse, acompanhada de expetoração.

2) Depois a pieira e a dispneia (falta de ar).

3) Mais tarde respirar tornar-se árduo, mesmo ao menor esforço.

4) Ao mesmo tempo instala-se o cansaço, a perda do apetite e de energia, já que os músculos respiratórios e periféricos (pernas e braços) são igualmente atingidos pela inflamação que ocorre na doença.

5) São também frequentes nos doentes mais graves os episódios de falta de ar na maioria das vezes associados a infeções – são chamadas as exacerbações ou agudizações da DPOC.

Este é um percurso incapacitante, na medida em que limita bastante as atividades quotidianas e afeta claramente a qualidade de vida. Envolve custos elevados para o próprio doente, naturalmente, pois no extremo é a sobrevivência que está em causa, mas também para o sistema de saúde, pois esta é uma doença que consome muitos recursos, entre medicamentos e hospitalizações.