Cuidados com a pele na gravidez
A grávida está sujeita a alterações hormonais (devido ao aumento da produção de progesterona e estrogénios), vasculares e imunológicas que se refletem na sua pele.

 

O período gestacional é considerado uma altura de grande risco de desenvolvimento de alterações na pele, pelo que medidas de prevenção devem ser iniciadas assim que seja confirmada a gravidez.

O abdómen é a zona do corpo da mulher que sofre mais distensões e alongamentos durante os meses de gestação, desta forma a pele necessita de um aporte suplementar de agentes nutritivos, hidratantes e lubrificantes que devolvam à pele a hidratação, elasticidade e suavidade tão desejadas pelas mães.

Após o parto devem ser mantidos os cuidados com a pele, de forma a potenciar a readaptação da pele ao seu estado normal. O pós-parto é o período da vida da mulher em que o corpo sofre mais alterações num curto período de tempo.

No entanto, é importante ter em conta que nem todos os produtos cosméticos podem ser utilizados durante a gravidez e o período de amamentação. Por exemplo, não é aconselhado o uso de produtos que contenham retinoides.

 

Higiene e Hidratação: seja qual for o tipo de pele da mulher, durante a gravidez ela tornar-se-á mais frágil. Embora nem todas as grávidas apresentem alterações a nível da hidratação, é comum um aumento de secura da pele com maior risco de aparecimento de irritações, eczemas, alergias e manchas. As zonas em que a grávida deve ter especial atenção são: o abdómen, as mamas e as coxas.

Recomendações:

– Banho diário – evitar os banhos de imersão ou demorados e com água muito quente;

– Utilizar  produtos de higiene diária indicados para  pele seca a muito seca, ricos em substâncias suavizantes e tensioativos de elevada tolerância;

– No que se refere à elasticidade da pele, recomenda-se a utilização de produtos ricos em constituintes lipídicos e substâncias capazes de reter água na epiderme, tal como a glicerina;

– Aplicar o hidratante deve com movimentos rotativos:

— coxas – no sentido ascendente, desde o joelho até à anca, por toda a perna;

— abdómen – de baixo para cima no sentido dos ponteiros do relógio;

— mamas – do exterior para o interior.

– a Utilizar produtos de higiene íntima que respeitem o pH ácido (4,2 – 5,6) desta zona.

 

Hiperpigmentação: ocorre em cerca de 90% dos casos de gravidez, observando-se uma intensificação da pigmentação em determinadas áreas, tais como aréolas mamárias, genitais, axilas e linha do umbigo ou sinais e cicatrizes já existentes.

Manchas (melasma, cloasma ou pano): estudos demonstram que cerca de 70% das grávidas podem apresentar manchas castanhas escuras no rosto, bochechas, nariz e buço. Ocorre devido à deposição da melanina na epiderme e/ou derme, pelo aumento de estrogénio, progesterona e hormona mielanotrófica. O melasma pode aparecer no 1º trimestre de gravidez, acentuando-se nos últimos meses, quando os níveis hormonais são mais elevados. Geralmente o melasma desaparece no pós-parto, contudo pode agravar-se pela exposição solar ou recorrer numa gravidez seguinte ou com o uso de contracetivos orais.

Recomendações:

– Aplicar um protetor solar (FPS≥30 e com proteção UVA) no rosto, durante o dia;

– Evitar a exposição solar direta;

– aplicar um cuidado antimanchas à noite, se indicado.

Nem todos os produtos antimanchas podem ser utilizados durante a gravidez pelo que devem sempre ser indicados pelo médico ou farmacêutico.

Acne: durante o primeiro trimestre da gravidez, é normal que a pele sofra algumas alterações hormonais, que promovem o aparecimento de maior oleosidade e favorecem a produção de sebo.

Recomendações:

– Lavar a pele com produto neutro e suave duas vezes por dia;

– Aplicar uma loção tónica após lavar e secar o rosto;

– Aplicar um hidratante não oleoso, em pequena quantidade, no rosto (de manhã, pode optar-se por um hidratante que já contenha fator de proteção solar).

Nem todos os produtos antiacne podem ser utilizados durante a gravidez pelo que devem sempre ser indicados pelo médico ou farmacêutico.

Estrias: cerca de 90% das grávidas desenvolvem estrias, estando o seu aparecimento  relacionado com fatores hormonais, aumento de peso e predisposição genética. As estrias podem surgir no abdómen, nas coxas e nas mamas e geralmente aparecem entre o 6º e o 7º mês de gestação. Os estrogénios inibem a síntese das fibras de colagénio e de elastina, o que se traduz numa menor elasticidade e flexibilidade da pele. A rede de fibras torna-se mais frágil e resiste pior ao estiramento, verificando-se uma deficiente cicatrização destas lesões. As estrias apresentam-se inicialmente de cor rosa, tornando-se após 12 a 24 meses definitivas e de cor branca. Uma vez formadas, as estrias são muito difíceis de eliminar totalmente e para ser eficaz, o seu tratamento deve ser iniciado quando ainda estão cor-de-rosa. A prevenção é, por isso, essencial para evitar o seu aparecimento. A eficácia depende exclusivamente da aplicação precoce e regular dos cuidados.

Recomendações:

– Manter o peso apropriado;

– Beber pelo menos 1,5 a 2 litros de água por dia;

– Fazer caminhadas diárias;

– Logo desde o início da gravidez, aplicar emolientes indicados para a prevenção de estrias, em movimentos circulares, uma a duas vezes por dia, nas zonas mais afetadas (abdómen, coxas e mamas);

– para grávidas com estrias instaladas, aplicar cremes específicos para o tratamento das mesmas.

Nem todos os produtos antiestrias podem ser utilizados durante a gravidez pelo que devem sempre ser indicados pelo médico ou farmacêutico.

 

Celulite: aumenta consideravelmente devido a à estimulação hormonal que promove a acumulação de gordura e a retenção de líquidos. A circulação sanguínea e linfática tornam-se mais lentas na gestação, tornando-se mais evidente a celulite já existente. O edema nas pernas, devido à retenção de líquidos, contribui para acentuar também a celulite na gravidez.

Recomendações:

– Fazer caminhadas;

– Utilizar anticelulíticos indicados para o período da gravidez.  Nem todos os produtos podem ser utilizados durante a gravidez pelo que devem sempre ser indicados pelo médico ou farmacêutico.

– Ter uma alimentação saudável;

– Beber 2 litros de água por dia;

– Usar meias de compressão/descanso, desde que recomendado pelo médico.

 

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