Porque é que a resistência aos antibióticos é um problema?
A resistência aos antibióticos constitui um grave problema no tratamento das doenças infeciosas, sendo, atualmente, uma realidade a nível global.

 

Ocorre quando os antibióticos perdem a capacidade de controlar o crescimento ou de causar a morte das bactérias, ou seja, é um mecanismo desenvolvido pelas bactérias para “neutralizar” o efeito do medicamento. Assim, uma bactéria é considerada resistente a determinado antibiótico quando continua a multiplicar-se na presença do mesmo.

A utilização excessiva e incorreta dos antibióticos (falha na toma, doses inadequadas, interrupção do tratamento prescrito pelo médico, uso de “sobras” sem indicação médica, por exemplo) leva a uma diminuição do seu efeito e, por vezes, a uma necessidade de aumento das doses terapêuticas, o que favorece a propagação de bactérias resistentes, tornando-se uma ameaça para a saúde pública no mundo inteiro.

As bactérias resistentes vão-se disseminando na comunidade e, mesmo quem nunca tomou antibiótico incorretamente, poderá ser infetado por uma bactéria resistente.

Se esta tendência se mantiver, caminhamos para um mundo onde mesmo as infeções mais simples se tornarão difíceis de tratar ou ficarão sem tratamento eficaz. Por outro lado, haverá dificuldade acrescida em descobrir antibióticos capazes de eliminar bactérias resistentes e ocorrerá o ressurgimento de doenças graves com variantes mais complicadas de tratar, anteriormente consideradas controladas (tuberculose, por exemplo).

A resistência aos antibióticos representa também um fardo significativo para os sistemas de saúde e orçamentos nacionais: as infeções bacterianas são mais difíceis de tratar e o tratamento é mais dispendioso quando as bactérias são resistentes aos antibióticos. Pode ser necessário um maior número de consultas médicas, faltas ao trabalho e até levar à hospitalização dos doentes. Torna-se também necessária a utilização de antibióticos mais caros e de antibióticos que deveriam estar reservados para situações extremas. As resistências bacterianas podem, em último caso, contribuir para o aumento da taxa de mortalidade.

 

Lembre-se, os antibióticos devem ser usados quando necessário, mas podem ser prejudiciais se mal utilizados!

 

NOTAS IMPORTANTES:

– Globalmente, estima-se que apenas metade dos antibióticos são utilizados corretamente.

– Neste momento foram já isoladas bactérias resistentes a todos os antibióticos disponíveis.

– Atualmente a resistência antimicrobiana é responsável por cerca de 25 mil mortes anuais na Europa e 700 mil mortes mundiais por ano.

– Entre 2015 e 2050 estão previstas 10 milhões de mortes por ano se as atuais tendências de infeção e resistência não forem revertidas.