Porque é que os anti-histamínicos dão sono?
É frequente na primavera, com o aumento das alergias sazonais, as pessoas afetadas recorrerem a medicamentos para aliviar os sintomas e, e ouvir os seguintes comentários: “Cuidado que isso dá sono”, “É melhor tomares só à noite”, “Este a mim não me causa sonolência nenhuma, mas o que tomei o ano passado deixava-me a dormir”. Mas afinal porque é que alguns anti-histamínicos (medicamentos utilizados, mas não só, para o alívio dos sintomas das alergias) causam sonolência e outros não?

 

Para compreender a resposta há que perceber como é que estes medicamentos funcionam!

Na prática, para combater os sintomas das alergias, os anti-histamínicos, como o próprio nome indica, contrariam a ação da histamina, uma substância libertada por algumas células específicas, quando entramos em contacto com um alergénio (substância que o organismo reconhece como estranha e contra a qual reage sob a forma de alergia). A histamina está presente em grande parte dos nossos tecidos e, uma vez produzida, dá origem a alguns dos famosos sintomas da alergia como por exemplo: comichão, espirros, nariz a pingar e olhos lacrimejantes. Os anti-histamínicos promovem uma ação contrária à histamina, atenuando estes sintomas.

Mas e o sono? Afinal o que o causa?

O sono é, nada mais, nada menos, do que um efeito secundário do medicamento.

A histamina atua em diversas zonas do organismo sendo responsável por outros efeitos que não os sintomas de alergia. Por exemplo, quando atua no cérebro, é responsável pela sensação de despertar. Assim, quando os anti-histamínicos atuam nesta zona, ao contrariar a ação da histamina, causam cansaço e sono.

Mas, porque é que nem todos os anti-histamínicos me fazem adormecer?

Afinal isto ainda complica? Alguns anti-histamínicos causam sono, mas outros não? Isto significa que são menos ou mais eficazes? Na realidade, tem que ver com o tipo de anti-histamínico. Dentro dos anti-histamínicos podemos considerar dois grupos: os de primeira geração (mais antigos, desenvolvidos há mais de 70 anos) e os de segunda geração. Os de primeira geração atravessam a barreira que protege o cérebro e, por isso, atuam neste tecido. Daí ser importante que se tomem à noite! Já os de segunda geração não têm esta capacidade e, por norma, não causam sonolência.

Quando tiver que usar estes medicamentos, se precisar de ajuda, informe-se com o seu farmacêutico!