Saúde 11 /// Heróis Saúda Oceano de esperança Parece um conto, mas é a vida. Luísa descobriu aos 26 anos que tinha Esclerose Múltipla. Contra o fatalismo, meteu-se num barco e decidiu renascer. Uma inspiração. Texto de Filipe Mendonça Fotografias de Pedro Loureiro 2 de Agosto de 2004. Luísa chega sozinha ao Hospital da Universidade de Coimbra. Medo. Ansiedade. Às costas, anos de sofrimento associado a sintomas que nunca entendeu. Deixou de andar. Perdeu parte da visão. Sentia-se muito cansada e com o corpo dormente. Chega a Coimbra para receber o diagnóstico. O mundo desaba. Ergue-se e volta a desabar. Esclerose Múltipla. «Deixei de ouvir a médica. Não me lembro de ter perguntado se tinha cura». Tem tratamento. Na retina, aos 26 anos, a imagem da «doença da cadeira de rodas». 2 de Agosto de 2014. Luísa chega ao cais de partida, junto ao Tejo, em Lisboa, acompanhada por familiares e amigos. Traz o coração livre. Confiante. Cheio. Nos braços, o desejo de deixar a doença em terra e começar tudo de novo. É assim que se faz ao vento e embarca rumo a Boston, a bordo do veleiro “Oceans of Hope” (Oceanos de Esperança), na companhia de quatro jovens que conhecem aquilo que sente. «Passei de um estado de prisão para um estado de profunda liberdade. De uma solidão extrema para um mundo rodeada de gente importante. Saí de Lisboa doente e cheguei a Boston pessoa». É assim que Luísa resume os 37 dias que passou no mar. Uma vida inteira. O suspiro da única portuguesa que participou na volta ao mundo a bordo de uma casca de noz tripulada por doentes com Esclerose Múltipla. Deixou de andar. Perdeu parte da visão. Sentia-se muito cansada e com o corpo dormente. O mundo desabou. Ergueu-se, desabou e voltou a erguer-se. De Coimbra a Boston há dez anos de marés e várias luas. «Percebi que uma coisa é aquilo que temos. Outra, bem diferente, é aquilo que somos. O que me define é a atitude». >
Revista Saúda N.3
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