8 Entrevista Consegue manter o equilíbrio entre as medicinas naturais e a tradicional? Acabo sempre por pedir conselhos aos meus pais. O Lopo, o meu filho, já partiu a cabeça e foi cozido pelos meus pais em casa, é óptimo. Em relação aos remédios é diferente. A minha mãe, diz-me: «Toma isto, toma aquilo». E eu digo que sim e nunca faço nada do que ela manda. E como vê o papel da farmácia? Vou imenso, gosto de ir. Tenho de comprar coisas para o meu filho e, apesar de não tomar Ben-u-ron e Aspirina, dou ao meu filho. Não dou é antibióticos, mas há alguns remédios que, para mim, são básicos. Compro-lhe vitaminas, as nossas pastas de dentes também são da farmácia e são óptimas… Adoro. Canta fado em casa? O Lopo está sempre a pedir, eu é que não canto. Mesmo assim, acaba por me ouvir. Na sala, temos muitos instrumentos, violas, pandeiretas, harmónicas, pianos, e passo muito tempo ao piano a tocar e a cantar e ele acaba por estar sempre a ouvir-me e por participar. Faço um jogo em que toco as músicas e ele tem de adivinhar quais são. Adora. Na sua infância também havia música? Sim, a música sempre esteve muito presente na minha família. Todos cantamos muito bem, os cinco irmãos. A minha avó cantava maravilhosamente bem, a minha mãe também. Sempre fizemos teatros e musicais em casa. Entretanto formou-se em Psicologia. Antes ainda estudei Direito. Escolhi Psicologia e achei que era muito sensível para exercer, fiz uma pós-graduação em Marketing, inscrevi-me em Antropologia… E andava sempre a cantar ao mesmo tempo. Comecei nos Toranja. A minha mãe dizia: «Podes continuar a cantar, desde que tenhas positivas» risos E eu andava sempre a estudar nas tournées para ter a certeza de que passava e continuava a cantar, porque era aquilo que eu adorava. E o fado acabou por vencer… O fado nunca me deixou trabalhar em Psicologia. É assim há dez anos e é uma sorte, porque nunca parei de cantar. Costumo dizer que foi o fado que me escolheu e não poderia ser mais feliz a fazer outra coisa. É a minha grande paixão. «O fado nunca me deixou trabalhar em psicologia. É assim há dez anos e é uma sorte, porque nunca parei de cantar» «A música sempre esteve muito presente na minha família. Todos cantamos muito bem» «Antes de entrar em palco, respiro, fico sozinha uns minutos e peço para ser um bom instrumento. Acima de tudo, de amor» Costuma ir sempre à mesma? Sim, é tudo muito familiar. Há uma farmácia mesmo ao lado da casa dos meus pais, já nos conhecem e vamos lá desde sempre. O meu filho usa muito aqueles produtos para tomar banho, tem a pele muito atópica… Sim, passo a vida na farmácia. Como foi participar no Fados, do Carlos Saura? Mudou tudo. Eu era a única fadista nova a ter um quadro só para mim, ao lado do Chico Buarque, do Caetano, da Mariza, do Camané, da Lura… Eram nomes fortíssimos e tive medo porque só cantava há um ano e queria muito agarrar aquela oportunidade. Toda a gente me dizia: «Tens de cantar isto de uma forma eterna», e eu ficava com medo porque ia ficar para sempre. Acho que consegui cantar de uma forma eterna porque, apesar de haver muita ingenuidade, é uma ingenuidade linda. Como se prepara para os espectáculos? Tenho um dom, a minha voz, que me foi dado de graça. >
Revista Saúda N.3
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