«O fado tem exactamente a mesma beleza que a natureza: é incrivelmente bonito quando é puro, sem máscaras» E quando nascemos com um dom, somos instrumentos. Antes de entrar em palco, respiro, fico sozinha uns minutos e peço para ser um bom instrumento. Acima de tudo, de amor. Também escreve letras. É uma necessidade de sempre? Desde muito pequena que escrevo. Gostava muito de observar e de escrever sobre os sentimentos e sobre as pessoas. Já escrevi muitos livros, uns sobre as estrelas e o Sol, outros sobre o amor. Vão crescendo com a idade. Continuo a escrever todos os dias sobre o que vivi. Depois passei a fazer isso através da poesia. E poder cantá-la… é gratificante. É diferente de cantar letras de outros autores? É mais gratificante cantar as minhas próprias letras no fado, uma música que exige que vás ao encontro da tua verdade e da tua experiência de vida, do que cantar um poema da Florbela Espanca, a minha poetisa preferida. Consigo passar essa verdade de que o fado precisa. Já está a pensar no próximo disco? Vai ter a ver com a luz e com o fogo. Acho que os elementos da natureza vão existir sempre. Acredito que o fado tem exactamente a mesma beleza que a natureza: é incrivelmente bonito quando é puro, sem máscaras. • Entrevista 9
Revista Saúda N.3
To see the actual publication please follow the link above