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Revista Saúda N.4

16 Saúde Aproveitou para se focar nos estudos. Terminou o secundário «com uma média razoável» e, em 2007, decidiu seguir para a faculdade. Foi um bem que veio por mal. Escolheu a licenciatura em Estatística Aplicada, na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, «porque a Matemática é uma coisa de que eu gosto», explica. «Imaginava-me a trabalhar no INE, a fazer gestão de dados». Começou com o pé direito, a fazer cadeiras e amigos, de olhos postos na vontade de ir atrás do emprego de sonho, mas a ânsia do futuro começou a pesar-lhe nos ombros. O segundo ano do curso arrancou com um mau presságio, quando teve «uma chatice com uma colega». Um trabalho de grupo, uma diferença de opinião e aconteceu. «Dei-lhe um empurrão, porque estava chateado». Depois desse episódio, deixou-se cair num isolamento cada vez mais profundo, imóvel perante o avanço vertiginoso do mundo. «Era tudo muito rápido, muita informação ao mesmo tempo» e ele sem conseguir manter o ritmo. «Na primária, os meus colegas queriam jogar futebol e brincar uns com os outros e aquilo deixava-me um bocado a leste» Quando chegou ao terceiro ano do curso, os recuos acumulavam-se. As ideias de andar de transportes públicos ou de fazer um exame viraram tormento. Desabou. «Estava com alucinações. Ouvia vozes na minha cabeça e pensava que eram os outros.» Desistiu do curso, contra a vontade: «Queria acabar a licenciatura. O problema não era tanto o conteúdo, era a instabilidade e ansiedade que aquilo me provocava». Ainda tentou resistir ao impulso do isolamento. Foi voluntário no ATL da Galiza, em Cascais, mas a dificuldade em interagir com os outros foi mais forte e saiu.


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