40 Boa disposição /// Farmacêutico convida Viana é amor O farmacêutico Paulo Arriscado desafia os leitores para a maior romaria de Portugal. Mas o convite vale para todo o ano. Arrisca-se a ser surpreendido. Texto de Carlos Enes Fotografias de Joca Foi entre um homem do Porto e uma mulher de Lisboa o casamento criativo que imortalizou Viana do Castelo no imaginário português. «Se o meu sangue não me engana / como engana a fantasia / havemos de ir a Viana / ó meu amor de algum dia». Quando Amália os cantou, estes versos de Pedro Homem de Mello começaram a viver para sempre. Viana é a cidade romântica de Portugal. Isso é patente nos lenços e camisas regionais, mas também nas toalhas, nas velas, loiças e, claro, na ourivesaria local. Viana exibe mais corações do que galos de Barcelos tem Portugal inteiro. A cidade era um destino de lua-de-mel do turismo nacional, antes da popularização dos aviões para destinos tropicais. Ainda hoje casais de Braga, Porto e de mais longe decidem trocar alianças no Templo de Santa Luzia. Nos anos oitenta, o etnógrafo Amadeu Costa inventou a frase exacta, mas mesmo exacta, que faltava à glorificação romântica da cidade: «Viana é Amor». Foi por amor e casamento que José Arriscado, minhoto abastado e com gosto pela vida, arrancou a farmacêutica Ana Rodrigues Pereira às fragas transmontanas. Paulo Arriscado, o nosso guia, seguiu a profissão da mãe. É um homem com mundo, mas bem agarrado à terra. «Nunca me deu para sair daqui. Viana é o meu refúgio», explica ele, com a força de um facto natural. Os vianenses cultivam um orgulho inflamado na “sua” terra. «Sou do Minho, sou do Minho / de Viana natural / Quem não conhece Viana, não conhece Portugal / Não conhece Portugal, ó lai ó la ri ló lé la», cantam em coro, nas festas e romarias. São mestres em propaganda e publicidade. Vão dizer-lhe que a Romaria D’Agonia é «a maior de Portugal». Não discuta – é a forma calorosa de o convidarem, eles adoram receber. E vale a pena entrar na festa, pelo menos uma vez na vida. Só não se recomenda a quem tem fobia a multidões, foguetes e a centenas de bombos a soar em simultâneo. A revista de gigantones e zés-pereiras faz tremer a Praça da República, um dos postais de Portugal. >
Revista Saúda N.4
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