Capa 11 O bem-estar do palhaço esconde alguma solidão? Não sei se a solidão é própria do palhaço. O mundo das artes é um mundo onde somos obrigados a pensar, e quando se pensa não se pensa em conjunto, pensamos muito sozinhos. Portanto, qualquer artista acaba por ter momentos de grande solidão. Depois, o sucesso é perigoso. Eu apanhei um susto quando percebi que estava no topo. O Chapitô começou aí. Cheguei a um patamar tão elevado ao nível da comunicação e do sucesso, da inclusão social. Qual é a fonte dessa energia? Vem da minha família, que me ajudou a ter um sentido muito prático e também muito espiritual da vida. Eu não sou católica, mas tenho uma espiritualidade que me acompanha. Acredito nuns astros e numas coisas... E depois é a rua. Gosto muito de ir à farmácia – que é um sítio onde ainda há alguém que nos ouve, à mercearia, andar de bicicleta – de três rodas, para ir às pinhas – e andar a pé, porque a natureza também nos rejuvenesce muito. É importante dominar o nosso corpo, da ponta do pé à ponta da cabeça. Isso faz-nos estar de bem com a vida. A alma e o corpo são uma peça só. > «Ao fim de 33 anos de projecto, 40 de revolução e quase 80 de vida, estou a ver como volto a ser aquilo que devia ter sido e não fui: palhaço»
Revista Saúda N.5
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