Page 42

Revista Saúda N.5

42 Boa disposição «Só uma certa maneira de me refugiar na tarde, forrar-me de silêncio e procurar trazer à tona algumas palavras» Eugénio de Andrade É comum ver uma loja que inaugura ao lado de um dos barbeiros mais típicos. Sem confrontações. E é talvez por isso que o nosso roteiro começa na Rua Miguel Bombarda, também chamada “a rua das galerias de arte”. «Uma vez por mês, todas as galerias abrem ao público, organiza-se animações e a rua enche-se de gente», diz-nos Ricardo Alves, à medida que nos cede passagem para entrar no Rota do Chá, um lugar intimista, decorado ao estilo oriental, situado na mesma rua. Tomamos um chá para aquecer, aproveitando a tranquilidade de um pátio que, do lado de fora, poucos arriscariam a adivinhar. Ruas abaixo entramos nos jardins que circundam o Palácio de Cristal. Contempla-se o final do dia, antes de descobrir toda a vida de um Porto quando a noite cai. Ao «hábito recente de, após o trabalho, ir tomar um copo com amigos», em bares como o Candelabro ou a Aduela, somam-se as inúmeras ofertas à medida que as horas avançam. A Champanharia, o Gin House ou a Casa do Livro fazem as honras de uma noite que continua, depois, na Tendinha dos Clérigos, para os amantes do rock, ou no Pinguim, com as suas noites de poesia. Mas há mais: Plano B, Maus Hábitos, Passos Manuel ou o Mercedes já são famosos, até para quem nunca visitou o Porto. E para petiscar até mais tarde, há sempre o Moonshine ou o Pipa Velha. Novas andanças em calçadas antigas na cidade que, para Eugénio de Andrade, era «só uma certa maneira de me refugiar na tarde, forrar-me de silêncio e procurar trazer à tona algumas palavras». Uma procura que aceitamos também, como uma espécie de desafio deixado pelo poeta que viveu os seus últimos 50 anos no Porto, e partimos para um passeio vespertino até à beira do Douro. Da Rua dos Aliados seguimos até à Rua das Flores, tornada pedonal e que conduz ao Palácio da Bolsa, para chegar ao Miradouro da Sé, que nos apresenta, vista de cima, a cidade completa. Continuamos por ruas antigas e estreitas, calçadas gastas, roupas nos estendais, até chegarmos à Ribeira, património mundial da UNESCO, para contemplar o pôr-do-sol (afinal, o Porto não é sempre cinzento!). Caminhamos paralelo ao rio e apanhamos, por fim, o Funicular dos Guindais para regressar à Batalha. >


Revista Saúda N.5
To see the actual publication please follow the link above